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Para se Distrair

Para se Distrair

por Katia Almeida

Essa semana vou dar duas dicas para começar 2015 com emoções fortes. Um filme que fala sobre a escravidão nos Estados Unidos, a vida de um escravo, que deveria ser livre. Não tem como não se sentir tocado pela história. A série é do gênero terror e prende a atenção do início ao fim.

 

12-Anos-de-Escravidão

Nome: 12 anos de escravidão

Título original: 12 Years a Slave

Ano: 2014

Duração: 2h13min

Gênero: Drama/ Histórico

 

Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um negro liberto que vive com a família no norte dos EUA. Ele é um músico respeitado e vive normalmente. Determinado dia, é trapaceado por parceiros de trabalho e levado ao sul, onde é vendido como escravo. Parceiro de longa data do diretor, Sean Bobbitt realiza mais um grande trabalho na fotografia. É angustiante a forma como investe em planos detalhes, aproximando a câmera de objetos e partes do corpo dos personagens. Ao mesmo tempo em que a técnica prende a atenção em um momento em que as mãos de Solomon tocam um violino, causa impacto ao retratar as chibatadas recebidas por ele. Usa muitos tons quentes, característicos da região sul dos Estados Unidos. A história (no sentido amplo da palavra) já é dura o bastante e não precisa de reforços melodramáticos. Ao invés de muitos closes e frases de efeito, o diretor opta por cenas cruas e tensas. Baseado em livro do próprio Solomon Northup, 12 Anos de Escravidão não é um filme fácil. Mas definitivamente, vale o desafio. Um filme que mexe com as emoções de quem o assisti. Estreiando cerca de 125 anos após a abolição da escravatura no Brasil, com a Lei Aurea em 1888, ele mexe com a mente de todos aqueles que estudaram ou ouviram de seus avós sobre o horror de não ser livre. Pessoas, como eu, que se colocam no lugar do personagem durante a trama, acabam saindo enjoadas e com os sentimentos a flor da pele após as mais de duas horas de filme. Mas, com certeza, é a melhor representação da escravidão que já vi. Vale muito a pena e faz pensar no valor da liberdade.

 

penny_dreadful

SÉRIE

Nome: Penny Dreadful

1ª Temporada

Ano: 2014

Duração: 50 minutos

 

Não sou a maior fã do mundo de series de terror. Mas essa me conquistou. Mistura vários personagens clássicos da literatura, como Dorian Gray e Drácula, usando como cenário a belíssima Londres Vitoriana. O enredo já chama a atenção, e quando a gente vê a ficha técnica se apaixona de vez. Nomes clássicos e carregados de significado como Lohn Logan – que foi indicado ao Oscar de melhor roteiro três vezes – pelos filmes A Invenção de Hugo Cabret, O Aviador e Gladiador. Ele produz a série em parceria com Sam Mendez, premiado pela Academia como melhor diretor em Beleza Americana. Na frente das câmeras, o elenco não é mais modesto: Josh Hartnett, conhecido pelo trabalho no cinema, como no clássico de guerra Pearl Harbor, é o grande protagonista masculino, enquanto a lindíssima Eva Green (de Sombras da Noite) é a heroína. Mas não são somente os dois que abrilhantam a produção, Harry Treadaway interpreta o famoso Doutor Victor Frankstein. Mas ao contrário da literatura, ele se sente emocionado e feliz com sua criação, feita por acidente. Até mesmo o nome impressiona, ele foi escolhido porque se refere aos tipos de livros de ficção britânicos publicados no Século 19. Eram histórias seriadas, publicadas ao longo de semanas, e os personagens que aparecem no programa de TV são de domínio público. Estes textos eram usados para entreter os jovens operários por serem de bastante violência. Outro destaque merecido é para a abertura da série, perfeição é pouco para descrevê-la. São vistas cobras, aranhas, crucifixos e insetos que devoram um cadáver povoam a tela… a mão ensanguentada segura uma tesoura; um corpo é aberto com o bisturi…. uma xícara cheia de sangue se estilhaça no chão enquanto o morcego levanta voo. A abertura já mostra que o seriado pretende mostrar o sombrio, o misterioso com classe e os elementos certos. Uma série provocante, misteriosa e envolvente. Afinal, todo mundo gosta de ideias elaboradas e um pouco de mistério anima a vida.