O passado é culpado! | 2M Notícias

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O passado é culpado!

O passado é culpado!

Passado, presente e futuro nunca se desentenderam tanto. As acusações são muitas e recíprocas. Cada um quer transferir ao outro a culpa das catástrofes humanas e naturais que se sucedem com gravidade e freqüência alarmantes.
O passado culpa o presente pelo mau uso dos recursos naturais, causa da seca ou das enchentes atuais. O presente culpa o passado por não terem sido atendidas as previdências e providências adequadas, oportunas e necessárias… O futuro, já prevendo o pior, culpa o passado e o presente por não serem responsáveis o suficiente para deixá-lo tão inseguro sobre o que virá… E assim a cantilena continua e continuam os desastres que infernizam a vida do planeta. E, claro, a vida de todos nós, terráqueos!
Contudo, se nossa atenção se voltar para os conflitos e catástrofes psicológicas que tanto infernizam a vida de bilhões na face da terra, o vilão, certamente, será o passado – do mais remoto ao mais próximo – de cada um.
Apesar de os saudosistas afirmarem que “bom era o tempo antigo”, é de lá que vêm os principais traumas – por carências ou abusos – que acompanham , sufocam e esmagam – o homo sapiens. É de lá que herdamos os principais medos, tabus, preconceitos, baixa autoestima e diminuta autoconfiança. É de lá que se multiplicaram os conceitos de que os rios nunca secarão e que a água, pois mais que a sujamos, sempre estará límpida… que o desmatamento nunca poderá destruir as florestas… que, apesar da caça e da pesca sem controle, jamais poderão por em risco qualquer das espécies hoje em extinção.
Mas é no âmbito emocional que o legado do passado mais pesa na cabeça, no coração, no corpo e no bolso do cidadão. É do passado mais remoto de cada um de nós, a herança nefasta que mais machuca no presente. Não temos explicação para sofrimentos cujas feridas estão no subconsciente, chagas abertas, muitas vezes, já na vida intrauterina. Foram páginas da nossa história que não escrevemos, mas que escreveram por nós e hoje, por mais que tentemos, não conseguimos identificar, ler e entender e apagar.
Contudo, como dizia Chico Xavier,
“Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim.”