Coluna: Para se Distrair | 2M Notícias

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Coluna: Para se Distrair

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Decisões

Dois filmes que falam sobre decisões e a mudança delas. Um é um drama nacional – muito bem feito – e o outro é um romance norte-americano. Vale a pena. Enjoy!

 

Entre Nós

Entre Nós

Gênero: Drama

Duração: 1h40

Dirigido por Paulo Morelli e Pedro Morelli

 

O filme começa contando as histórias de sete amigos, verdadeiramente amigos e amantes. Afinal, entre eles tinham casais, trios e troca de casais. Todos com seus 20 e poucos anos, querendo mudar o mundo, com dons artísticos, críticos, escritores, filósofos. Essa parte do filme se passa no ano de 1992, quando os sete resolvem escrever uma carta para seus “eu’s” do futuro, mais exatamente dez anos depois. O filme de Paulo Morelli e Pedro Morelli – pai e filho – faz uso de várias metáforas, como a da carne queimada com salada, tentar mascarar o ruim com o bonito, o pássaro – que terá papel fundamental no final do filme -, a carne como mais um erro em uma vida de derrotas. Depois de escrever suas cartas ao futuro e colocá-las em uma caixa, enterrá-la e colocar uma pedra em cima, eles continuam bebendo, conversando e se divertindo animadamente no sítio como sempre faziam. Mas um acidente acontece e um deles morre, o que marca a vida de todos, principalmente de Felipe (Caio Blat) para sempre. Dez anos depois, em 2002, eles estão em caminhos diferentes em suas vidas e são obrigados a confrontar o passado. Os seis atores tem atuações incríveis – com destaque para Caio Blat, Maria Ribeiro, Júlio Andrade, completam o elenco Martha Nowill. Paulo Vilhena e Carolina Dieckmann – e conseguem retratar muito bem as mudanças de pensamentos e atitudes que acontecem com o decorrer do tempo. Ele retrata com brilhantismo o quanto as amizades podem mudar e o quanto o mundo pode corromper o coração dos jovens que queriam mudá-lo. Deixa claro o quanto histórias mal resolvidas podem influenciar na vida futura das pessoas. Um diferencial desse filme – em comparação com os outros nacionais – é o cuidado com a fotografia. Luzes mais escuras, planos borrados ao fundo, closes bem feitos, tudo perfeitamente pensado para ajudar no enredo. O responsável por tudo isso é o fabuloso Gustavo Hadba, mostrando porque é um dos principais nomes do cinema nacional nos últimos tempos, com trabalhos marcantes em Faroeste Caboclo e Meu Pé de Laranja Lima. Ele abusa dos closes na cara dos personagens, que unidos às grandes atuações passam muito bem a emoção vivida pelos mesmos. O eterno luto de um dos personagens – Felipe, que tem um segredo que o atormenta há anos – sempre de preto é algo que chama atenção, por não ser um luto só pelo amigo, mas muito mais por ele mesmo. Os atores conseguem mostrar muito bem esses conflitos internos, o momentos de desespero e confusão. O filme faz pensar nos nossos “e se”, “E se eu tivesse continuado o namoro do Ensino Médio?”, “E se tivesse escrito meu livro?”. Mas também faz pensar no passado, naquilo que ficou mal acabado, nas amizades que se perderam pelo caminho. A produção consegue ser tão bem feita ao ponto de incomodar quem assiste, fazer com que o expectador se coloque no lugar do personagem. Uma prova de que o cinema brasileiro consegue sim fazer dramas de qualidade.

 

Casa Comigo?

Casa comigo

Título Original: Leap Year

Gênero: Comédia/Romance

Duração: 1h40

Dirigido por Anand Tucker

 

Vou começar sendo sincera: não é o enredo mais inovador do mundo. Não é uma comédia romântica que fuja muito dos padrões, nem nada assim. Mas – tinha que ter um “mas” para valer a pena, certo? – ele ganha o espectador nos detalhes. O primeiro que salta aos olhos até do público menos atento, é o cenário. Boa parte do filme se passa na Irlanda, então são montanhas e casas bem diferentes daquelas que estamos acostumados em filmes norte-americanos. Mais especificamente, ele foi filmado em Wicklow, Dublin, e Galway, Irlanda. E em volta das Ilhas de Aran, Connemara, Temple Bar, Georgian Dublin, e do Parque nacional de Wicklow. E outro ponto muito positivo foi que a diretora fez uma boa caricatura do local, a Irlanda é conhecida no mundo todo por suas superstições, então ela enfeitou mais ainda essa cultura. Gatos pretos darem má sorte em viagens, não ser aconselhável viajar no domingo. Uma das lendas é exatamente a que dá o norte ao filme: se uma mulher propuser casamento ao seu namorado no dia 29 de fevereiro – o que acontece de quatro em quatro anos, conhecido como ano bissexto – ele não pode recusar. Por isso, Anna (Amy Adams) viaja até Dublin para propor em casamento seu namorado Jeremy (Adam Scott). Eles já tem um namoro sério quase monótono, tanto que já estão no processo para procurar um apartamento para morarem juntos. Durante o voo para Dublin, acontece uma tempestade e eles devem desviar para Cardiff. Anna consegue chegar com um barco barato até Dingle, apesar de ela ter pago para levá-la até Cork. Em Dingle, Anna pede a ajuda de um trabalhador irlandês, Declan (Matthew Goode), para fazer uma inesperada viagem através do país, com um pequeno Renault 4, que Declan chama de “bebê”, mas que cai em um lago. Então eles continuam com o que podem, para poder fazer o pedido perfeito a tempo. Mas, obviamente, muitas coisas acontecem pelo caminho. Um ponto abordado com delicadeza no filme é essa questão de repensar decisões. Anna atravessa milhares de quilômetros para pedir o namorado em casamento, mas ela se permite questionar a decisão, mesmo que ela já estivesse tomada. Matthew Goode é extremamente divertido e consegue deixar o personagem despojado e cativante. O cenário e figurino conseguem ter sintonia, os enquadramentos de planos abertos são feitos de forma impecável. Os planos fechados são encaixados com músicas, o que os da mais emoção. E a relação de opostos entre Anna e Declan funciona muito bem sem ser forçado. A garota mimada e “de apartamento”, que diz que as galinhas vêm da sessão de congelados com um sorriso e o cara, viajante, e que mata uma galinha com a mão. É um filme leve, vale a pena assistir com uma bacia de pipocas.