Coluna: Outras Palavras | 2M Notícias

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Coluna: Outras Palavras

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Conquistas

A partir da criação, em 2003, da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, o governo federal apresentou inúmeras ações e programas na busca da igualdade de gênero e no combate à violência contra a mulher, entre estes: o incentivo à autonomia financeira, à participação das mulheres nos espaços de poder e decisão política e de atenção integral à saúde da mulher. A aprovação da Lei Maria da Penha em 2006, representou uma grande conquista do movimento feminista na busca da erradicação, prevenção e punição da violência contra a mulher. Um Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), em março de 2015, demostrou a efetividade da Lei ,que fez diminuir em 10% a taxa de homicídio de mulheres dentro das residências. A mais recente grande vitória a ser comemorada, fruto desta contínua luta das mulheres, é a criação da Lei do Feminicídio sancionada pela presidenta Dilma – sim, a palavra presidenta existe e é correta, e quem diz não sou eu é o Mestre Cláudio Moreno – e que torna hediondo o crime de feminicídio e agrava a pena de assassinatos contra mulheres por motivo de discriminação de gênero e violência doméstica – segundo dados da Secretaria de Políticas para Mulheres, 68% dos crimes desse tipo são cometidos dentro das próprias residências das mulheres – com penas que podem variar de 12 a 30 anos de prisão.

Retrocesso

Não porque fosse o Dia Internacional da Mulher, mas chamar a presidenta Dilma de “vaca” para baixo é revelador do quanto a nossa sociedade ainda é machista. Estou com o blogueiro Leonardo Sakamoto: “Uma sociedade que é incapaz de fazer críticas ou demonstrar insatisfação e indignação sem apelar para questões de gênero”. Chamar de “vaca’’ não é fazer uma análise da honestidade e competência de alguém que ocupa um cargo público e sim uma forma machista de depreciar uma mulher simplesmente por ser mulher”. De colocá-la no seu “devido lugar”, que é fora da política institucional”.

 

Tempos de cólera

Eu que não tinha nascido no início da Ditadura, e que era adolescente pelos idos da “abertura ampla, geral e irrestrita”, que nunca fui presa ou torturada pelos militares nos Dops da vida, que não tive entes próximos desaparecidos por defender a democracia, lastimo profundamente estes tempos de ascensão do ultraconservadorismo, vestido com seus piores trajes: o machismo, a homofobia, a xenofobia, o ódio de classe por um lado e a criminalização da política, o ódio às políticas sociais e o golpismo de outro. O dia 15 pode reviver a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, deliberadamente, visando passar por cima da decisão soberana das urnas rumo a um terceiro turno via golpe. Mas não esmorecemos. A presidenta Dilma, que tem o coração valente, vai continuar honrando a sua trajetória pessoal e política e mais uma vez não fugirá à luta, aos seus ideais e aos seus compromissos com o povo brasileiro.

“O panelaço nas varandas gourmet – dos bairros e sacadas ricas do Rio, de Brasília  ou de São Paulo como Higienópolis, Jardins, Perdizes, Vila Madalena, Morumbi – não foi contra a corrupção. Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade”.  Juca Kfouri