Coluna: Esparramando problemas e frustrações | 2M Notícias

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Coluna: Esparramando problemas e frustrações

Coluna: Esparramando problemas e frustrações

por Carlos Panni*

Lembro dos tempos de guri, em que ajudava minha mãe a escolher feijão.
Esparramava tudo sobre a mesa e ia catando as impurezas. Ninguém consegue escolher feijão dentro de uma vasilha; é preciso esparramar para poder ver, identificar e retirar a sujeira. No cotidiano não é muito diferente. Da mesma forma, é preciso esparramar os nossos problemas para poder definir e descartar angústias, frustrações, mágoas, rancores e decepções… Só assim poderemos limpar os nossos sentimentos e emoções de tantas mazelas acumuladas ao longo da vida. Só assim o joio poderá ser banido e o trigo, finalmente, florescer e maturar. Só assim poderemos retirar a fuligem da lâmpada para que possa luzir e iluminar o caminho do sucesso e da felicidade, sem as amarras dos traumas e preconceitos.
Não adianta querer esconder a pedra do feijão dos nossos dias – mais cedo ou mais tarde vai acabar tirando o sabor dos nossos sonhos. Não adianta querer esquecer e sepultar as mazelas – vamos acabar sufocados por elas.
Há pessoas que se negam a ir ao médico com receio de descobrirem alguma doença. Não procuram um psicólogo porque não se julgam “loucas”, mas vivem sem brilho, sem sonhos e sem prazer. Outras nem pensam em tocar em suas feridas emocionais, em seus traumas e angústias como se, deixando-as “quietinhas”, pudessem ser menos doloridas. Como diz a canção: – “Morto, amordaçado, volta a incomodar…”. Tudo o que está em nós – pode estar latente – mas não está morto e, em algum momento, irá se manifestar… Aí já terá causado tantos estragos, tantas mágoas e frustrações que então, sim, poderá ser tarde demais para recuperar o sabor de viver – e ser feliz!
Quantas vidas se vão, por “deixar a saúde para depois”! Quantos relacionamentos se desfazem quando as mágoas se misturam às alegrias e as vão estrangulando, uma a uma – até a morte! Quanta felicidade se definha em meio aos temores e frustrações! Quanto sucesso deixa de se concretizar pelo medo de ir em frente, de inovar, de romper paradigmas! Não tenhamos medo de olhar para o que, afinal, já está dentro de nós mesmos, – seja um tumor, uma cárie, uma mágoa, uma preocupação ou uma insegurança a ser vencida. Não podemos ser vítimas de nada e de ninguém – muito menos de nós mesmos!
Por isso, é preciso que esparramemos nossas queixas, dúvidas, temores, culpas e arrependimentos para descartá-los, um a um, numa cirurgia ampla e radical, mesmo que doa. Com certeza, a recuperação será mais rápida e gratificante do que podemos imaginar.
Façamos uma limpeza de corpo e alma para não levarmos junto as ervas daninhas que tanto dificultaram o vicejar das flores do jardim da nossa existência.
Aí, sim, limpos e lépidos, programemos o que de melhor para cada um de nós nos novos dias que nos esperam…

 

Carlos Panni é médico