Uma vida dedicada à Brigada Militar | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Uma vida dedicada à Brigada Militar

Uma vida dedicada à Brigada Militar

por Dijair Brilhantes

O personagem da série Protagonistas da Vida, do Jornal Correio de Cachoeirinha desta semana traz Ernani Carretta Nunes, conhecido no município como o tenente Ernani, do 26º Batalhão da Brigada Militar de Cachoeirinha.

Há 32 anos prestando serviço militar, o tenente está próximo de se despedir da farda. O pedido de aposentadoria já foi feito, até o final do mês de abril o tenente deve entrar para o grupo de militares da reserva, após 32 anos de serviços prestados à comunidade. Ernani nos recebeu em uma das salas do 26º BPM para nos contar um pouco de sua história.

Inicio

Em 1986, mais precisamente em 20 de novembro, Ernani entrou para a Brigada Militar. O primeiro batalhão que atuou foi o 1º Batalhão da Brigada Militar em Porto Alegre. “Fiz o curso no 1º Batalhão da Polícia Militar, foi um orgulho para mim, pois o 1º é o batalhão mais antigo da Brigada Militar”, lembra o tenente.

Em 1989, o protagonista prestou o concurso com outros 5.000 candidatos para ser Cabo da Brigada Militar. Após ser selecionado, Ernani mudou-se para a cidade de Santa Maria. No coração do Rio Grande, permaneceu durante um ano junto da esposa e da filha, fazendo o curso de Cabo da BM.

Quando o militar retornou para Porto Alegre, voltou a prestar serviço no 1º BPM, já como 3º sargento. Nesse período foi convidado para servir no comando geral da Brigada Militar.

Cachoeirinha 

Por ser morador de Gravataí, o tenente foi convidado a ingressar no 26º Batalhão de Cachoeirinha. “Foi o lugar onde eu fui mais feliz, onde me senti realizado, consegui por em prática todos os meus projetos”, disse o tenente.

Como já havia realizado o curso Básico de Administração, Ernani foi promovido em 2011 a tenente do 26º BPM. O Policial se tornou responsável por parte da companhia e atuou na comunicação social do Batalhão durante alguns anos. A comunicação está no seu sangue, Ernani é filho do jornalista Theodoro Hernani Menezes Nunes, que atuou por muito tempo no grupo Caldas Junior.

Entre seus trabalhos em Cachoerinha coordenou a PM mirim e se tornou instrutor do Proerd na cidade. Atualmente é coordenador dos projetos sociais da Brigada Militar.

Atuação    

Durante os 32 anos de vida militar, Ernani diz ter tentado ficar próximo da comunidade e dos colegas. “Sempre que tirei serviço nas ruas eu gostava de dialogar com a comunidade, de me apresentar nos comércios e para a população”, explica. Nesses mais de 30 anos, o tenente diz ter passado por diversas situações de conflito, e realizado mais de 200 prisões. “Graças a Deus eu nunca precisei alvejar ninguém, e nem por isso deixei de cumprir meu trabalho”, explica. “Deus não conferiu a mim o direito de matar”, conclui.

Ernani lembra que em algumas ocorrências teve até que entrar em luta corporal com algum indivíduo, mas jamais julgou alguém após as prisões. “Eu nunca precisei bater com cassetete ou usar meu coturno para machucar alguém por ter cometido algum crime. Eu faço a prisão e cabe ao estado julgar”, diz o policial.

Legado

O tenente entende que deixou um bom legado para a cidade. Nesses onze anos em que esteve no 26º Batalhão, Ernani formou duas turmas de soldados. Formação essa ocorrida em 2012. “Eu consegui plantar uma sementinha, tentei passar tudo o que eu acredito para eles, como deve agir um policial nas ruas”, conta.

O protagonista da semana diz sempre ter tido orgulho da carreira que conseguiu seguir. “Nunca me escondi, sempre fui para casa e voltei fardado, sou PM em todos os momentos” diz.

Aposentadoria  

Após a aposentadoria Ernani pretende se dedicar ao salão de beleza da filha, para isso fez um curso profissionalizante. “Eu fiz um curso de corte de cabelo, vou ajudar minha filha no salão de beleza dela para não ficar parado” explica.

O tenente diz não querer se afastar da comunidade, e que mesmo após a aposentadoria pretende ajudar no serviço da Brigada, onde está deixando amigos. “Considero todos meus colegas amigos, é a família brigadiana”, falou.

O protagonista diz que apesar de amar o que faz, está cansado. “Sinto dor no corpo, o colete pesa cinco quilos, quando eu tiro dói meu pescoço” lamenta Ernani.