TOCA RAUL: "A viagem do show é imaginar que naquele momento ele está vivo" | 2M Notícias

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TOCA RAUL: “A viagem do show é imaginar que naquele momento ele está vivo”

TOCA RAUL: “A viagem do show é imaginar que naquele momento ele está vivo”

por Carolina Candido e Dijair Brilhantes

Na cidade de Salvador da década de 1960, o rock and roll não era sempre bem-vindo. Dona Maria Eugênia chamava de maluquice o “barulho” que o filho fazia no quarto, com os instrumentos musicais. Estava mais preocupada com o boletim do garoto, que reprovara anos na escola por faltar às aulas para ouvir música nos bares locais. Quando o baião do pernambucano Luiz Gonzaga ressoava pela casa, Dona Eugênia tentava entender por que o filho comparava aquele ritmo ao som “estranho” do tal Elvis Presley.
Para Raulzito, que naquela mesma década se juntaria aos Panteras, baião e rock eram irmãos. Até então, mãe e filho não desconfiavam, mas o baiano cabeludo se tornaria um ícone do rock nacional. Construiria legado robusto o bastante para se manter vivo décadas após a morte, em discos relançados e em espetáculos que reúnem as obras as cantor.

O “Maluco Beleza” estaria completando 70 anos em 2015 se estivesse vivo, e quem nos explica um pouco deste amor é o cover Cleiton Amorim, músico, 40 anos, nascido em Imbituba, SC, morador do bairro Granja em Cachoeirinha há 22 anos.
Com o show Raulzito Amorim e os Feras ele relembra durante 1 hora e 15 min alguns clássicos como “Metamorfose Ambulante”, “Gita” e “Sociedade Alternativa”.
Seu timbre similar ao de Raul Seixas despertou o interesse de um amigo jornalista que o convidou para gravar alguns jingles e poucos depois surgiu à ideia.
“Cara, se tu colocar uma barba, um cabelo, tu vai ficar parecido com Raul”, contou.
Desde então, há 5 anos Cleiton Amorim com o show cover, uma espécie de tributo a Raul Seixas, faz um belo trabalho. De manter viva a obra do ídolo.

No inicio o projeto tinha uma proposta simplória que foi tomando forma e proporções grandiosas e hoje arrastam legiões de fãs por onde passa.
“Ano passado, no Carnaval, fizemos um show na beira mar de Tramandaí e lá estavam 15 mil pessoas para assistir Raul Seixas. Isso é gratificante demais”, conta o cover.
“Tenho uma relação muito bacana com os motociclistas. Tenho um apoiador importante que é o Rogério da Motoshow. Ele incentivou essa relação e hoje nós somos uma das atrações da Festa da Macela que ocorre todo o ano na cidade. Evento reúne os amantes do motociclismo de toda a Região e por consequência os fãs de Raul Seixas”, conta Amorim.

Composição do Personagem

Há fãs que acham que no momento do show é o próprio Raul no palco.
“Depois da descaracterização se sentem até um pouco decepcionados” contou Amorim.
A verdade é que nos últimos 5 anos, o músico que já era fã incondicional do “Maluco beleza” iniciou um estudo assistindo diversos vídeos e para reproduzir as performances”. Antes disso, aos 11 anos, quando começou aprendeu o violão, suas primeiras músicas era parte da obra de Raul.
“Aquelas mais tocadas nas rádios”, ressalta.
“Depois do inicio do projeto Raulzito Amorim e os Feras, me apaixonei ainda mais pelas músicas e passei a estudar a sua discografia”, explicou.
Amorim relata que no momento, a coletânea do ídolo é quase que a trilha sonora familiar. Sua esposa sempre foi muito fã de Raul e seus filhos de 4 e 9 anos escutam quase que diariamente.
“No carro, sou sempre voto vencido, eles sempre querem escutar Raul”, diz Amorim.
CARACTERIZAÇÃO

A caracterização não foi fácil e já mudou muito desde o inicio do projeto.
“No inicio improvisamos uma barba e uma peruca de carnaval. Depois fomos aperfeiçoando, mandei produzir a bota vermelha. A jaqueta minha mãe costurou pra mim e a barba veio de São Paulo. Dou atenção nos detalhes. Nesse momento show, estamos com um figurino próximo ao Show Abre-te Sésamo”, explicou.

 

LEGADO

“Particularmente, acho que todo ser humano tem seu livre arbítrio. Ele foi um ser humano como qualquer outro. Tentou acertar em algumas coisas e errou em outras. Deixou uma mensagem maravilhosa. Pode ajudar muita gente, incentivar muita gente. Era um cara extremamente inteligente. Tem uma obra incrível. Viveu intensamente e deixou sua obra eternizada. Penso que meu grande papel nisso tudo é manter a obra dele viva para que novas gerações as conheçam”, disse Amorim.

 

Show

O show do Raulzito e os Feras tem a duração em média de 1 hora e 15 min. “Vinte músicas fazem parte do repertório”, explicou Amorim.
Compõem a banda dos feras: Rubão Soares (bateirista), Luciano Silveira(baixista),  Renato Paxa e Paulo Guita (guitarristas), Heigli Amorim (Vocais).

 

Agenda:

27/06 – Sexta-feira – Festa Particular em N.H

28/06 – Sábado – Cervejaria Otti em Cachoeirinha – Show acústico

29/06 – Domingo – Marques Bier em Canoas – Show

11/07 – Shopping Gravataí | Comemoração dia do Rock

22/08 – Teatro do Sesc | Tributo a Raul Seixas | Um Canto para minha Morte

17/10 –  Fenamassa | Antônio Prado