Segunda criança morre por meningite na cidade | 2M Notícias

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Segunda criança morre por meningite na cidade

Segunda criança morre por meningite na cidade

Menino tinha apenas oito anos; revoltada, população do Jardim Betânia fechou a Avenida Frederico Augusto Ritter e a ERS-118; eles pedem imunização à todas as crianças do bairro

Na madrugada de ontem, 7, mais uma tragédia atingiu os moradores da Betânia. Outra criança do bairro veio a falecer, por meningite bacteriana. Wesley de Castro, de apenas 8 anos, não resistiu à infecção e faleceu no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre.

Além de Wesley, uma menina de 12 anos já havia falecido na última sexta-feira, 3, também moradora do bairro, e uma terceira menina está internada no Conceição.

Moradores do bairro Betânia, pais de alunos da Escola Municipal Alzira Silveira Araújo protestaram em duas vias da cidade: na Avenida Frederico Augusto Ritter, próximo à entrada do bairro, e na ERS-118. O que eles pedem é que todas as crianças do bairro sejam medicadas.

“Quantas crianças vão ter que morrer para que se tome alguma medida, para que se apresente alguma solução?”, questionaram. Revoltados, eles trancaram as duas avenidas e prometeram liberar somente quando houvesse uma resposta da Secretaria Municipal de Saúde.

“Queremos medicamentos, queremos as vacinas, os antibióticos. Não é nem para os adultos, mas sim para as crianças do bairro. Não vamos abrir a via enquanto não tivermos uma resposta”, garantiram.

Tristeza da perda

A revolta e a indignação estampavam o rosto de muitos, mas a face da tristeza era ainda mais forte. Segurando um retrato do pequeno Wesley, posando com a mão no coração, em frente à bandeira do Brasil, a tia do menino, Noeli do Couto, não conseguia esconder a dor que sentia.

“Uma criança da comunidade, um inocente, mais uma vida que se foi. Quantos inocentes a mais vão ter que morrer?”, perguntou outro morador. “É triste. É a mãe desse menino que está chorando agora. Todos somos pais, avós, todos sentimos essa dor. Queremos nossas crianças protegidas”, completou.

Os moradores também disseram que outro menino de 18 anos, Marcelo Moraes, morreu no último final de semana. “Para a secretaria todos agora estão morrendo do coração, dizem que não é meningite. Mas a família dele foi medicada com o antibiótico”, alegaram.

“Todos têm filhos aqui. A gente só quer a vacina para as crianças. Falaram que os colegas dos dois receberão o remédio, mas qualquer um pode ter tido contato com eles, no recreio, na escola. Todos precisam”, alegou outra moradora.

Insatisfeitos

Os moradores não ficaram satisfeitos com a reunião que a Secretaria de Saúde organizou na tarde de segunda-feira, 6, na Escola Alzira. “Ao invés de discutir saúde, eles discutiram política. Isso não nos adianta”, reclamaram.

Na ocasião, a representante do Centro Estadual de Vigilância em Saúde deu algumas explicações sobre a doença e disse que não era possível vacinar toda a população do bairro, pois existem diferentes tipos da bactéria. “Também estamos muito preocupados, mas agora a solução é a quimioprofilaxia, que é a prescrição de antibióticos. Como esse medicamento causa uma resistência às bactérias, ele precisa ser administrado somente quando necessário. Portanto, o uso deve ser restrito aos familiares ou aqueles que tiveram contato muito próximo com os alunos”, disse.

Recebendo vaias e protestos, ela afirmou que os professores e colegas dos alunos que desenvolveram a doença receberão o antibiótico, mas que ele não pode ser distribuído a toda a população.

Saúde precária

Os manifestantes perguntaram onde estavam as autoridades, como o prefeito Vicente Pires, que também não havia comparecido à reunião na segunda-feira. “Na hora dos votos vem todos, e na hora de ajudar?”, criticavam.

“Aqui na comunidade é tudo difícil, sabe? Não funciona, não anda. Falta alguém que tenha uma efetiva responsabilidade. Nós sabemos que a saúde é um caos geral. No país inteiro. O nosso município é pequeno, mas tem bastante arrecadação, porque não investe em saúde? É tudo precário. Estamos saturados. Ontem [segunda] falaram, falaram, e não disseram nada. Se o município não tem condições, então que peça para o Estado. Queremos uma ação efetiva, que resolva o problema. Falta boa vontade”, salientou José dos Anjos, morador da Betânia.

Força-tarefa

Os vereadores Rubens Otávio (PTB), Antônio Teixeira (PSB) e Irani Teixeira (PCdoB) estavam no local conversando com os moradores. Rubens Otávio disse que a ideia é que uma ambulância atenda a Betânia como prioridade para qualquer caso.

O vereador Antônio Teixeira também destacou a importância da ambulância. “Estou tentando conseguir uma. Temos que transferir tudo para cá. Secretaria, secretário, prefeito, todos tinham que estar aqui. Montar uma força-tarefa. Até para esclarecer dúvidas e ajudar o povo, não é bom que todo mundo se desespere”, disse.

Liberação dos remédios

Mesmo trancando a avenida, os manifestantes deixavam passar famílias que estavam indo ao velório de Wesley e garantiram autorizar a passagem da medicação que foi liberada para as duas turmas da escola.

O capitão Rossato, da Brigada Militar, conversou com os moradores e pediu a garantia de que esses remédios chegassem até as crianças das duas turmas, ao que todos garantiram que o acesso seria liberado.

A Guarda Municipal também esteve presente no protesto, com um efetivo de 15 guardas. Na ERS-118, a Polícia Rodoviária Estadual estava auxiliando.

Por volta das 16h os manifestantes liberaram as estradas e as crianças das duas turmas em que estudavam os dois alunos que vieram à óbito receberam a medicação.

No Rio Grande do Sul

Até o mês de maio, o Estado contabilizou cinco óbitos por doença meningocócica em 2015. No ano passado, foram 10 óbitos no Rio Grande do Sul. Também até maio deste ano, havia 22 casos da doença confirmados em todo o estado.

De acordo com o secretário municipal de saúde, Amir Selaimen da Costa, ano passado Cachoeirinha registrou seis casos e em 2013 foram 12 casos.