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Protagonizando pelo mundo

Protagonizando pelo mundo

por Dijair Brilhantes

A série Protagonistas da Vida, do jornal Correio de Cachoeirinha desta semana, trás Beto Figueiredo. Morador do Bairro Ponta Porã há 36 anos, resolveu sair da Missões do Rio Grande do Sul, morar em Cachoerinha e desbravar o mundo.

Em 1979, após cumprir o serviço militar no 4º Regimento de Cavalaria Blindado, em São Luiz Gonzaga, Beto pediu inclusão na Brigada Militar, assim teve que vir para Porto Alegre fazer o curso na academia de polícia, onde permaneceu por três décadas prestando serviço ao estado. De lá entrou para a reforma. “Eu vim pra cá com intenção de fazer o curso e voltar para o interior, mas não dá, aqui tem muito mais recursos para viver. O interior é bom para quem está aposentado e quer uma vida tranquila”, diz Beto.

Radialista e tradicionalista

Vindo da região missioneira, Beto jamais deixaria as tradições gaúchas de lado, sua facilidade na comunicação o aproximou dos habitantes da capital. Há 25 anos, Beto é apresentador da Ronda Crioula em Cachoeirinha. O hoje aposentado de 55 anos é apresentador do programa Bolicho da Metrópole, na Rádio Metrópole AM – 1570, diariamente. “Minha facilidade de comunicação sempre me ajudou a interagir com o público”.  Segundo Beto, o programa é líder de audiência na rádio. “Quando eu comecei, eu ainda estava na Brigada, daí eu tinha que fazer o programa conforme minha escala,” explica o também radialista. “Como minha escala era 24 por 48 (24 horas de trabalho, com direito a 48 horas de folga), ficava fácil. Eu fazia dois ao vivo e um gravado”, concluiu.

O programa está no ar há 17 anos, e é veiculado diariamente de segunda a sexta-feira, das 16 horas às 19 horas. “É um programa bem peculiar, o público sabe o que vai ouvir, e falo com o ouvinte da forma que ele está acostumado, com termos de gaúcho”, explica o radialista.

Personalidades do meio gaúcho visitam frequentemente os estúdios da rádio. Walter Morais, Cancioneiro, Roberto Mendes, entre outros são alguns dos cantores que já participaram do Bolicho Metrópole. “Qualquer grupo de música tradicionalista que quer vir nos estúdios as portas estarão sempre abertas, basta conversar com o produtor do programa”, convida o radialista.

Cruzeiro pela Europa

Mas o índio xucro das missões queria mais, tradicionalista e com um programa de rádio muito ouvido na cidade, uma agência de viagens resolveu ir até o estúdio conversar com Beto para que lhes ajudassem a conseguir 18 homens que conhecessem os cortes nobres de carne e que fosse bom assador para trabalhar em um cruzeiro. O apresentador do Bolicho Metrópole gostou da ideia e ele e mais alguns amigos resolveram aceitar o convite. “Gostamos da proposta, íamos viajar e conhecer a Europa, e levar o nome do Brasil e do estado. Daí foi aquela correria para fazer passaporte, documentação, mas tudo certo”. No dia 04 de março de 2014, Beto embarcava em um cruzeiro.

Entre as ilhas de Amsterdam, Turcos e Estocolmo, Beto assava o bom churrasco gaúcho, durante os 60 dias que ficou abordo do navio, ele mais três assadores, um deles Luisão Quevedo, amizade construída há 25 anos, assaram 600 quilos de picanha. “Havia 3.500 turistas no navio. Durante as três paradas que fazíamos por dia, trocavam os turistas, conhecemos muita gente”, conta o protagonista.

Em sua viagem, ele e outros amigos chegaram a assar 600 kg de carne; a bordo do navio havia pessoas que levaram o tradicionalismo de outros três estados: da Bahia foi apresentada a capoeira, de São Paulo a música, e do Rio de Janeiro o Carnaval

Em sua viagem, ele e outros amigos chegaram a assar 600 kg de carne; a bordo do navio havia pessoas que levaram o tradicionalismo de outros três estados: da Bahia foi apresentada a capoeira, de São Paulo a música, e do Rio de Janeiro o Carnaval

Amizades   

Durante a viagem, o protagonista diz ter feito amigos, ganho um bom dinheiro, e conhecido lugares diferentes. “Não imaginava conhecer lugares tão distantes, conheci e levei o tradicionalismo do Rio Grande do Sul”. A bordo do navio havia pessoas que levaram o tradicionalismo de outros três estados. Da Bahia foi apresentada a capoeira, de São Paulo a música, e do Rio de Janeiro o Carnaval. “A ideia era apresentar a cultura do Brasil para os europeus, e nós gaúchos ficamos com a culinária”, explica Beto.

Beto diz ter vivido uma experiência impar, e se tiver nova oportunidade irá viver de novo, mesmo tendo que enfrentar novamente o medo de avião. “Tenho medo de avião, daqui a São Paulo foi tranquilo porque é perto, mas de São Paulo a Amsterdam foram 11 horas de voo, daí foi difícil”, conta, sorrindo.