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Para se Distrair

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Versatilidade

A atriz francesa Audrey Tautou tornou-se internacionalmente conhecida como a doce Amélie Poulain, mas isso não fez com que ela ficasse estereotipada. Ela consegue ir do drama a comédia e vice-versa de forma impecável. Para comprovar isso a dica de dois filmes protagonizados por ela.

 

Amar… não tem preço

WebDesigner

Título Original: Hors de prix

Gênero: Comédia/Romance

Duração: 1h46

Dirigido por Pierre Salvadori

 

Admito que o que me chamou atenção foi o nome do filme. Afinal, faz todo o sentido, amar realmente não tem preço. Quando vi o elenco me apaixonei de vez. Ao fim do filme tive a certeza de ter acertado na escolha. O longa conta a história de Jean (Gad Elmaleh) e Irène (Audrey Tautou). Os dois se conhecem em um hotel de luxo, onde os homens usam terno e as mulheres belos vestidos longos – destaque para o figurino que foi muito bem feito. Jean é um jovem e tímido atendente de bar, que é confundido com um milionário pela bela Irène, uma jovem oportunista. Como um de seus amantes define, ela é uma dessas moças que fica de minissaia e uma taça na mão nos bares de restaurantes chiques a espera de uma vítima com pouca perspicácia e bastante dinheiro. Ela vai para o hotel com um homem, Jacques (Vernon Dobtcheff), mas fica de olho em outras oportunidades que possam ser mais convenientes a ela. Ela sempre esteve acostumada a ser tratada com presentes caros, vestidos novos a hora que bem entende e joias sem motivo algum, ela busca alguém para dar o golpe do baú. Quem viu a atriz em O Fabuloso Destino de  Amélie Poulain vai notar a diferença entre a doce e ingênua Amélie e a interesseira Irène. Em um de seus passeios pelos cômodos do hotel, ela vê Jean, como todos os garçons usam terno, ela acaba confundindo as coisas e acha que ele é um jovem milionário. Para Irene é um ótimo negócio, trocar Jacques, que beira os 80 anos, por alguém mais jovem e igualmente rico. Eles acabam se envolvendo e Jean não conta a verdade. Mas como diz o ditado popular: a mentira tem perna curta. E Irene acaba descobrindo da pior maneira e no pior momento. Obviamente, ela o abandona, mas o jovem tímido se mostra muito determinado e não desiste tão fácil. É engraçado o seu lado perseguidor compulsivo. Ele mostra até onde um homem apaixonado pode chegar, tira todo o dinheiro da sua conta, estoura cartões de crédito, usa até as moedas no fundo do bolso para que sua amada fique com ele. Mas a companhia dela só dura o tempo que o dinheiro dura. O que acontece depois do segundo abandono é que dá o ar mais interessante ao filme, pois mostra até onde vão os escrúpulos humanos para conseguir o que quer. O filme retrata muito bem essa temática. E os protagonistas conseguem representar muito bem os sentimentos até mesmo que não são falados, a expressão facial e corporal deles é ótima e dá veracidade. O diretor sabia disso, tanto que Gad Elmaleh não precisou fazer teste para o personagem, Salvadori o viu no teatro e decidiu que ele era o ator ideal para  interpretar Jean. A cara de “pobre coitado” ajuda na construção artística e faz quase que um contraste com o jeito feroz de Audrey. Salvadori também ficou muito satisfeito com a performance de Audrey. Segundo ele, a atriz tem uma surpreendente facilidade em mudar de emoções durante as cenas, passando do drama para a comédia com muito realismo. O cenário também ajuda – e muito! A Riviera Francesa, inacessível para os pobres mortais, oferece cenários fantásticos para a comédia.

 

Coco antes de Chanel

Coco antes de Chanel

 

Título Original: Coco avant Chanel

Gênero: Biografia

Duração: 1h50

Dirigido por Anne Fontaine

 

O filme começa em silêncio, somente as imagens e sons característicos do ambiente. O que já mostra o quanto a diretora Anne Fontaine se preocupa com os detalhes. Como é de se esperar de um filme francês a fotografia é incrível. Cenas mais escuras para a menina abandonada pelo pai, após a morte da mãe, que esperava todos os domingos na porta do orfanato que fossem buscá-la. O filme conta a história de Gabrielle “Coco” Chanel – sim, aquela estilista famosa e rica, dona de império da indústria da moda a Chanel S.A com sede na França. Mostrando todo o processo da sua ascensão desde a infância pobre. Ela aparenta ter se tornado uma mulher fria, tanto com as pessoas quanto em relação ao amor – que segundo ela é “bonito apenas nos livros”. Coco começou sua história como costureira e cantora, apenas cantora, em um bordel. A falta de conteúdo e de ideias interessantes das pessoas naquele local a deixavam entediada. Ela passa pelo desgosto de ser “abandonada” pela irmã, Adrienne (Marie Gillain). Que, ao contrário de tudo que Coco acreditava e premeditava, teria sido pedida em casamento pelo barão com quem se envolvia. Além da biografia, o filme mostra bem as dificuldades de se viver em sociedade, o quanto o passado pesa nas tentativas de ascensão social. Coco quer morar em Paris e acaba se hospedando na casa de Balsan pensando que isso poderia lhe abrir portas. Ela conhece o milionário Étienne Balsan no cabaré em que canta, e tem um relacionamento com ele, até ele voltar para sua cidade. Balsan retrata a mesquinhez e falta de tato da aristocracia. Ele é um homem rico que dá várias festas com jóqueis e prostitutas, não conhece nada sobre literatura, vestimenta ou outro aspecto que o tornaria “refinado”. Percebendo as poucas perspectivas de vida, Coco resolve fazer suas malas e ir atrás dele, pedindo abrigo em sua casa por um breve período, que se alonga mais do que ele esperava. É fazendo roupas para o amante que Chanel desenvolve o talento de estilista. Ela sonha em ser atriz, mas chama atenção por seus chapéus e por não se vestir como as mulheres de seu convívio, afinal se vestia costumeiramente com roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época. Em dado momento, certos acontecimentos fazem com ela mude sua visão coração frio da vida. Mas será que foi uma boa decisão? Mesmo vivendo apaixonadamente sabia, no entanto, que nunca se casaria; nem com o homem de sua vida, Boy Capel. Afrontando as convenções do seu tempo, Chanel inventa a mulher moderna. A produção de Fontaine retrata muito bem as nuanças de humor de sua personagem, seus sonhos e angústias e a construção dessa nova mulher.