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Moradores do Bairro Olaria clamam por ajuda

Moradores do Bairro Olaria clamam por ajuda

por Dijair Brilhantes

O crescimento desenfreado de Cachoeirinha, assim como em outras cidades, gerou uma série de problemas para moradores de loteamentos, bairros e conjuntos habitacionais aprovados sem critérios ou infraestrutura básica. É comum em qualquer cidade do Brasil receber novas moradias, mesmo que essas não ofereçam o mínimo para sobrevivência de famílias.

Assim surgiu a Vila Olaria, o quarto bairro da série de reportagens feitas pelo jornal Correio de Cachoeirinha. Ao contrário dos bairros das reportagens anteriores, a Olaria tem graves problemas.

A região sofre com falta de calçamento, saneamento básico, segurança pública, além de creches, escolas postos de saúde e transporte. O problema mais grave vem no forte do inverno. Os moradores vivem as margens do Rio Gravataí, durante os períodos de chuva intensas este sobe e faz com que as famílias precisem ser removidas.

Maria Aparecida, moradora do bairro, diz que a região foi esquecida pelas autoridades públicas. “Minha casa está caindo, todos os invernos temos que ir para um abrigo, não tenho condições de fazer outra, trabalho com reciclagem”, disse Maria. Conforme a moradora, as estadias em abrigos durante as enchentes levam cerca de 20 dias até que as águas baixem e a família volte para casa.

Mãe de sete filhos, Maria Aparecida conta que o marido teve um AVC (acidente vascular cerebral) e passa por dificuldades para fazer o tratamento pela falta de transporte e médicos na região.

“Nunca teve um médico aqui na vila, é uma dificuldade para conseguirmos ir até o posto fazer o tratamento do meu marido, é longe e não passa ônibus”, lamenta Maria.

Casa perdida

No último inverno, Andressa Godoi perdeu a casa na enchente, a força do rio subiu e destruiu toda a casa, levando as paredes e os móveis da residência. “Conseguimos reconstruir tudo com a ajuda dos vizinhos, se dependesse da prefeitura ainda estava sem casa”, diz Andressa.

Andressa queixa-se que quando precisa levar o filho ou a mãe ao médico tem muitas dificuldades. “O posto de saúde é longe, quando precisamos é difícil chegar até lá, a mãe teve que amputar parte do pé, quando temos que ir no médico levamos mais de uma hora para chegar”, reclama Andressa.

“A prefeitura ficou de nos remover para o loteamento Chico Mendes, mas são só promessas”, conclui Andressa que também trabalha com material reciclado.

Comerciante  

Uma das comerciantes do local, Márcia Gomes, lamenta a falta de estrutura do local. “Falta tudo no bairro, não vemos médico por aqui, nem vigilância sanitária, o lixeiro passa uma vez por semana quando passa”, reclama a comerciante.

Márcia também queixa-se do transporte público, “o ônibus passa a quilômetros daqui, é horrível”.

Enchentes

Maria Odete mora há 50 anos no local, segundo ela o local é bom, não vê grandes problemas, segundo ela o maior problema é as enchentes, por isso a casa foi construída sobre altos pilares. “No ano passado saímos três vezes de casa por causa das chuvas, a cada enchente a prefeitura promete que vai nos remover”, lamenta.

Alguns moradores que preferiram não se identificar reclamam da falta de segurança, onde segundo eles há muita disputa por pontos de tráfico. “A segurança está bem complicada, a polícia raramente vem aqui, o que facilita o aumento da marginalidade”, disse um morador.