Meu Rincão precisa de ajuda | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Meu Rincão precisa de ajuda

Meu Rincão precisa de ajuda

Com as fortes chuvas que atingem o Estado, o bairro Meu Rincão está sem água potável, sem luz e com as casas sendo tomadas pela enchente; Vila Olaria também sofre com alagamentos

A tristeza de perder tudo para a água começou mais cedo esse ano nas vilas Olaria e Meu Rincão. Com as fortes chuvas que atingem a Região Metropolitana desde a madrugada de segunda-feira, 13, as enchentes acabaram levando tudo de muita gente.

No bairro Meu Rincão, Paulo Sidnei Santana, morador, diz que está ilhado. “É muita água. Não temos como sair. Conseguimos retirar algumas crianças, mas nós não podemos deixar tudo aqui. Acabei de olhar, minhas porcas morreram todas”, disse.

Além de perder muito para a chuva, Paulo Sidnei explica que também há o receio de que roubem os pertences caso eles deixem as casas. “Ontem à noite [segunda] já tinha gente rondando as casas. Estamos com medo que roubem as nossas coisas”, explicou, alegando que é por isso que eles não saem de casa.

Dentro da casa de Paulo Sidney, na madrugada de terça-feira, 14, a água ficou numa altura de 60cm. “Isso que minha casa é alta. Eu acabei de pagar roupeiro novo, tinha ganhado uma cama box, perdi tudo, a água tapou”, lamentou.

Por enquanto, ele está morando na casa do vizinho ao lado, entre três famílias. “Só nessa casa, são 17 pessoas. É uma casa ainda mais alta, então ainda não entrou água. Mas estamos sem luz e sem água potável. Na segunda-feira, fizemos um mutirão para conseguir dar café da manhã e almoço para as crianças”, contou.

Segundo ele, a Petrobrás deve abrir a represa, o que faz com que toda a água vá até o arroio Sapucaia, alagando ainda mais o bairro. “Nós ouvimos no rádio, pelo celular, que eles vão abrir a represa e aí em dias normais quando eles fazem isso já alaga aqui, imagina agora”, alertou.

A esposa de Paulo Sidnei passou recentemente por uma cirurgia contra o câncer e teve que ser retirada na “garupa” pelo marido. Toda a situação dificulta muito a recuperação dela. “Precisamos de cobertores, pelo menos, contra o frio”, disse.

A equipe de reportagem do jornal Correio de Cachoeirinha tentou  chegar até o bairro, mas não conseguiu, por encontrar uma das estradas que dava acesso já alagada.

Olaria embaixo d’água

Na tarde de segunda-feira, 13, mostramos que a água já invadia um dos lados da Vila Olaria. Um dia depois, o cenário do bairro já era completamente diferente. Lados esquerdo e direito tomados pela água, a entrada do bairro também, com as casas cheias por dentro. Em frente à Corsan, onde no dia anterior se conseguia estacionar o carro, o transporte agora é feito só de barco.

Alguns moradores estavam na parte seca que restava, com seus carros, tentando proteger os veículos das enchentes. “Eu moro sozinho, até que não me preocupo muito. Mas tem várias famílias ilhadas. O transporte agora é só de barco”, disse um morador.

Na segunda-feira, o morador da Olaria, Luiz Beni, já havia alertado que se a chuva continuasse, o bairro ficaria tomado pela água. Ele já estava pronto, com o barco, para conseguir se locomover. “Meu IPTU deste ano aumentou de forma absurda, veio R$ 600, e olha a estrutura que temos, se continuar chovendo teremos que sair de casa só usando barco, ele só querem o dinheiro do povo”, lamenta.

Remoção

O coordenador da Defesa Civil, Fernando Kern, explica que cinco famílias foram retiradas do bairro Meu Rincão. “Uma das famílias teve que ser retirada às 3h da madrugada, um casal e três filhos”, contou. A equipe contou com a ajuda do Grupo Especial de Busca e Salvamento, de Porto Alegre, que tem um barco a motor.

Outras famílias saíram por conta própria e todos eles se abrigaram em casas de parentes e amigos. “Se ficou mais alguém para ser resgatado, agora vamos ter que pedir outro resgate, porque a Defesa Civil não consegue mais entrar lá no momento. É alto demais e tem muita correnteza”, explicou.

Sobre a Petrobrás, ele disse não ter conhecimento do assunto e que isso nunca aconteceu no bairro.

Já na Olaria, ele explica que muitas famílias saíram por contra própria e que estas foram para casa de parentes. Mas, segundo Fernando, será necessário que a Defesa Civil remova mais famílias.

A Defesa Civil está monitorando o aumento do nível do Rio Gravataí. Na segunda-feira, 13, pela manhã as aguas estavam 3,76 metros acima do nível considerado normal, à tarde o nível subiu para 4,8. O coordenador ainda não tinha os níveis atualizados até o fechamento da edição.

Doações

A Defesa Civil está aceitando todas as doações. “Quem quiser doar, pode entrar em contato que a gente busca. Se puder trazer na Defesa Civil é até melhor, ajuda muito”, destaca Fernando.

Roupas, alimentos e material de higiene estão entre os principais produtos necessários, mas toda a doação é bem vinda.

A sede da Defesa Civil está localizada na Rua José Antonio Lutzenberger, 220, bairro Moradas do Bosque. O telefone para contato é o 3041-6216.

Situação crítica em todo o Estado

A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil segue apoiando todos os municípios atingidos pelas fortes chuvas. Alertas de granizo, vendavais e chuvas foram recebidos e emitidos desde a semana passada a todas as coordenadorias regionais para preparar as comunidades sobre os possíveis eventos.

Até agora são mais de 20 municípios afetados no Rio Grande do Sul, entre os quais os da Região Metropolitana, que é a com situação mais crítica, com aproximadamente 500 pessoas desalojadas e desabrigadas em casas de familiares e abrigos provisórios.

De Brasília, onde está tratando de assuntos de interesse do Rio Grande do Sul desde a segunda-feira, 13, o governador José Ivo Sartori afirmou na manhã desta terça-feira, 14, que acompanha a situação no Rio Grande do Sul. “As equipes da Defesa Civil, do Estado e dos municípios estão agindo e auxiliando quem mais necessita. O Rio Grande do Sul precisa mostrar unidade, a força do voluntariado. Maior que a chuva é o espírito solidário dos gaúchos, que se fortalece na cumplicidade”, disse Sartori.

“Neste momento temos 12 equipes da Defesa Civil nos locais atingidos pelas chuvas e alagamentos, dos quais quatro na Região Metropolitana. Estamos dando todo o assessoramento para que as pessoas possam ser atendidas com a assistência necessária”, destaca o subchefe da Defesa Civil, tenente-coronel Alexandre Martins. Ações do Corpo de Bombeiros e das coordenadorias de Defesa Civil municipais, além de voluntários, estão auxiliando as pessoas a abandonar suas residências e deslocarem-se para abrigos fora das áreas de risco.

Os pontos mais críticos do estado são os rios da Bacia do Caí e o Rio dos Sinos, que estão subindo muito rápido. A Defesa Civil monitora o nível de alerta desses locais. Alguns municípios afetados: Porto Alegre, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, Taquara, Igrejinha, Passo Fundo, Coxilha, Santa Maria, Santo Ângelo, Imbé, Torres, Frederico Westphalen, Caxias do Sul, Vacaria, Bom Jesus, Canela, Lajeado, Estrela, Montenegro, Poço das Antas, Rio Pardo e Guaíba.

Previsão

De acordo com o ClimaTempo, a chuva deve dar uma trégua nesta quarta-feira, 15, e amanhã, 16, mas retorna na sexta-feira e no sábado.