Já passou da hora de falar sobre BULLYING | 2M Notícias

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Já passou da hora de falar sobre BULLYING

Já passou da hora de falar sobre BULLYING

Caroline Weigel

Uma tragédia recente envolvendo uma menina em Cachoeirinha alertou para a importância de se discutir sobre o bullying, “uma violência continuada, física ou mental, praticada por um indivíduo ou grupo, diretamente contra o outro, que não é capaz de se defender por si só, em tal situação”, como explica a psicóloga Iara Bravo.

E os dados envolvendo a agressão são alarmantes. Em 2009, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizou um estudo que revelou que cerca de 30% dos estudantes brasileiros afirmaram terem sofrido bullying alguma vez na vida escolar.

Em 2012, o IBGE também apresentou a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), que mostrou que, de 30% de estudantes envolvidos com o bullying, 20,8% são agressores. Ou seja, um em cada cinco jovens na faixa dos 13 aos 15 anos pratica bullying contra os colegas no Brasil. Os outros 7,2% são vítimas desse tipo de abuso. “A grande diferença entre os dois índices reforça a ideia de que essa é uma prática comum em grupo, geralmente, contra uma pessoa”, explicou Marco Antônio de Andreazzi, gerente de Estatísticas de Saúde do IBGE.

Dentro desse universo, o cyberbullying preocupa ainda mais. A pesquisa “Este Jovem Brasileiro” de 2014, realizada pelo Portal Educacional, mostrou que o bullying na internet entre colegas da mesma escola sai da web e vira problema na sala de aula. 64% dos professores afirmaram que perceberam casos de ofensa pela internet entre os seus alunos. 16% dos alunos relataram já terem sofrido preconceito na internet, 23% relataram que já sofreram insultos na web, 40% já sentiram medo por alguma situação que ocorreu na rede e e 4% admitiram que evitaram ir à escola ou até sair de casa por causa de ameaças ou ofensas sofridas pela web.

Âmbito escolar

“O bulliyng sempre existiu, mas atualmente acontece de forma mais agressiva”, afirma a psicóloga Iara Bravo. Ela define o bullying ainda como uma forma de agressão que ocorre principalmente nas escolas, caracterizada pelas ações de dominação de uma pessoa sobre outra.

O bullying pode ser físico (com ou sem contato), verbal, emocional, racista ou sexual. “É uma forma de abuso de poder, entre as crianças, entre os adolescentes e também pode ocorrer entre adultos, sobretudo com mais frequência nas escolas, mas também pode surgir dentro das famílias”, explica.

Para ela, o primeiro passo é entender o problema e a frequência e, a partir daí, tomar algumas atitudes. “Controlar o bullying nas escolas não é fácil. Os professores precisam tempo, paciência e habilidade para lidar com as crianças e/ou adolescentes envolvidos, assim como as famílias devem saber dos acontecimentos”, afirma.

Sinais

Iara explica que a vítima se deprime e evita contatos sociais, inclusive adoecendo fisicamente. “É importante estar atento ao comportamento do provocador e da vítima, ambos demonstram atitudes visíveis, em família ou na escola. Também conversar individualmente e em dupla ou em grupo”, sugere.

A psicóloga destaca também que pais ou professores devem buscar ajuda com os especialistas, para receber orientação adequada ao assunto. “Falar sobre o bulliyng sempre e continuamente, para reforçar os aspectos positivos que todos têm. Deve-se implantar política anti-bullying nas escolas, envolvendo professores, funcionários, alunos e pais através de informação, sensibilização, conscientização e mobilização”, completa.

Iara Bravo é Bacharel em Psicologia pela ULBRA e Licenciatura em Psicologia pela UFRGS

Iara Bravo é Bacharel em Psicologia pela ULBRA e Licenciatura em Psicologia pela UFRGS

Conselho Tutelar

A conselheira tutelar Tarciz Laus explica que o Conselho Tutelar é um órgão que zela pela garantia de direitos das crianças e adolescentes. “Dessa forma, há o encaminhamento para a saúde mental infantil (psicólogo ou psiquiatra) para avaliação”, afirma.

Ela destaca também que há o trabalho do órgão com palestras nas escolas. “As instituições de ensino podem buscar apoio junto à rede municipal, para atuação em caráter preventivo”, conclui.

Tarciz Laus é conselheira tutelar em Cachoeirinha e afirma que as escolas podem buscar apoio junto à rede municipal, para atuação em caráter preventivo

Tarciz Laus é conselheira tutelar em Cachoeirinha e afirma que as escolas podem buscar apoio junto à rede municipal, para atuação em caráter preventivo