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Hospital diz que há cinco casos confirmados de meningite meningocócica tipo C em Cachoeirinha

Hospital diz que há cinco casos confirmados de meningite meningocócica tipo C em Cachoeirinha

por Caroline Weigel

A cidade toda está muito preocupada com o avanço da meningite em Cachoeirinha. Nas redes sociais, é o assunto mais comentado entre os moradores do município e de outros vizinhos. Porém, é importante que cada um faça sua parte e trabalhe em prol das melhorias, e não do pânico.

De acordo com a diretora técnica do Hospital Padre Jeremias, a médica Luciana Reis, até o momento foram cinco casos de meningite confirmada, com dois óbitos. Além disso, existe mais um caso de suspeita em um menino de 17 anos, aguardando o resultado dos exames.

Na manhã de ontem, 9, a equipe do Correio de Cachoeirinha esteve reunida com o diretor geral do Hospital Padre Jeremias, doutor Roberto Barros Benevett, a doutora Luciana e o médico infectologista Ricardo Zimerman, que explicaram os procedimento e medidas adotadas pelo hospital e repassaram algumas informações sobre a doença.

De acordo com o infectologista, todos os casos de meningite na cidade confirmados são do mesmo tipo: bacteriana, meningocócica tipo C. “A meningite pode ser viral ou bacteriana. Dentro da bacteriana, ainda temos outros tipos. No grupo dos meningococos, temos o tipo A, que não existe no Brasil, o tipo B, o tipo C, o Y e o W135. Até 2013, a mais comum no Brasil era a B, mas desde esse ano para cá a C tem crescido bastante” explica.

Ricardo também acrescenta que é difícil precisar exatamente de que forma a primeira paciente contraiu a doença. “O inverno, as pessoas em ambientes fechados, tudo isso facilita. Mas não temos como saber onde e como isso iniciou”,

O médico deixa bem claro que o contágio é através de um contato mais íntimo com a pessoa. “É preciso ter tido algum contato bem próximo. Mas se houver qualquer suspeita de que possa ser meningite, se algum dos sintomas aparecer, é importante que se leve ao atendimento hospitalar. O tempo é primordial e ajuda muito na recuperação”, destaca.

Medidas adotadas

Os médicos destacam que o hospital está priorizando o atendimento de moradores do Betânia e também de qualquer outro que apresentar algum sintoma. “Se houver uma suspeita ou confirmação, já reduzimos o contato da pessoa com os outros, oferecemos o antibiótico e notificamos os órgãos competentes”, explicou Ricardo. A quimioprofilaxia, que é a aplicação de remédios para as pessoas mais íntimas do paciente também é realizada.

“Restringimos os atendimentos do hospital para urgência e emergência, então todos os procedimentos eletivos estão cancelados nos próximos 15 dias, como os procedimentos ginecológicos, dermatológicos, os cursos de gestante, por exemplo”, completou Luciana.

Tempo é fundamental

O infectologista destaca que o tempo é fundamental na cura da meningite. “Embora seja uma bactéria agressiva, ela é extremamente sensível ao antibiótico. Então o quanto antes descobrirmos a doença, melhor”, afirma.

A bacteriana tem uma letalidade maior do que a viral. Na meningite viral, a letalidade é de 1%, enquanto que a bacteriana é de 20%. “Existem riscos de sequelas neurológicas, mas o quanto antes for diagnosticada, menor é o risco”, acrescenta.

Ação comunitária

O médico Ricardo Zimerman também destaca que essa é uma doença comunitária, não hospitalar. “Todos os casos confirmados que temos são no bairro Betânia. Então o poder público já está mobilizado e serão necessárias ações na comunidade. Medidas de saúde pública fora do hospital”, sustenta.

O infectologista também reitera que o pânico é contraproducente, ou seja, é preciso contê-lo. “As pessoas devem ouvir as autoridades competentes e não acreditar em tudo o que se lê nas redes sociais”.

O diretor geral do hospital segue a mesma linha de raciocínio. “É importante que a população não fique em pânico. Estamos tomando todas as medidas. O uso das máscaras pelos nossos funcionários é uma medida preventiva”, destacou Roberto Benevett.

Vacinas

De acordo com o doutor Ricardo, desde 2010 a vacina contra a meningite está disponível na saúde pública. Então, crianças que nasceram a partir de 2010 já deveriam estar imunizadas, se os pais levaram seus filhos para receber as três doses da vacina, nos 3, 6 e 15 meses de vida.

“Quem está atrasado com essas vacinas pode procurar os postos de saúde e colocar em dia a carteira de vacinação. É bem frequente a não-vacinação, o que é um absurdo. É inaceitável que os pais não levem para vacinar tendo disponível na rede pública”, alerta Ricardo.

Nascidos antes de 2010, porém, não receberam essa vacina. Então, nos próximos dias o governo estará distribuindo 6 mil vacinas para crianças de 12 meses a 20 anos no bairro Jardim Betânia. “Nesse primeiro momento, é importante que esse grupo de risco seja vacinado. Todos os casos foram dentro dessa faixa-etária e dentro da mesma comunidade. Não adianta querer vacinar toda a população, de todas as idades, porque pode acabar não atingindo o foco. Se começar a ter casos em pessoas com 30, 40 anos, se repensa. É muito dinâmico”, acrescentou. Ricardo explica que a vacina demora cerca de sete dias para fazer efeito e que é extremamente eficaz.

“O que as pessoas precisam ter cuidado agora é com a precaução, como higienização das mãos, evitar aglomerações. Procurar ouvir somente as fontes confiáveis. Se tiver algum sintoma, trazer aos hospitais”, recomendou.

Aulas suspensas

Uma reunião na noite de quarta-feira, 8, entre a titular da 28ª Coordenadoria Regional de Educação, Neusa Abruzzi, e representantes da prefeitura de Cachoeirinha definiu a paralisação das aulas desde ontem, 9, nas redes municipal e estadual.

De acordo com a 28ª CRE, um novo calendário escolar será montado para a recuperação dos dias letivos que forem perdidos, com aulas aos sábados.

A rede municipal atende 12 mil alunos em escolas de educação infantil e ensino fundamental. Quem foi à escola foi orientado a voltar para casa. A suspensão vai até 17 de julho. No dia 20, inicia o recesso de inverno. Na prática, a rede municipal de ensino fundamental só voltará às atividades no dia 3 de agosto.

Em relação às escolas do sistema de educação infantil do município, 12 públicas e 5 conveniadas, a orientação é que os pais de alunos com a carteira de vacinação em dia decidam pelo envio dos filhos aos educandários. As escolas infantis e creches permanecerão abertas. Para os pais de alunos com as vacinas obrigatórias, incluindo as quatro que protegem contra a meningite e disponíveis na rede de saúde de Cachoeirinha, o pedido é que, primeiro, façam a atualização da caderneta.

Protestos

Alguns manifestantes, moradores de outros bairros de Cachoeirinha, estão organizando para às 14h, um ato na ponte de Cachoeirinha que faz divisa com Porto Alegre. O objetivo da ação é reivindicar vacinas para todas as crianças da cidade, não só para as moradores da Betânia.

A prefeitura se manifestou em nota: “A Prefeitura orienta a todos a evitarem aglomerações. O Governo Municipal respeita manifestações que estão sendo convocadas pelo Facebook, mas alerta que a aglomeração de pessoas é exatamente uma das principais formas de contágio de meningite”.


 

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Os principais sintomas são:

– Febre alta que começa abruptamente;

– Dor de cabeça intensa e contínua;

– Vômito e náuseas;

– Rigidez da nuca;

– Manchas vermelhas na pele

Nos menores de um ano, é importante atentar também para:

– Presença de moleira tensa ou elevada

– Irritabilidade

– Inquietação com choro agudo e persistente

– Rigidez corporal com ou sem convulsões