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Greve dos caminhoneiros tem reflexos nos serviços da região

Greve dos caminhoneiros tem reflexos nos serviços da região
Viaturas da Brigada Militar de Gravataí estão diminuindo o patrulhamento para economizar combustível. Diversos postos de gasolina não tinham mais combustíveis nesta quinta-feira. | Foto: Rodrigo Cassol/ JG

A greve dos caminhoneiros, iniciada na última segunda-feira em grande parte do país, começa a ter desdobramentos na região. Durante a manhã desta quinta-feira, foi possível notar grandes filas de carros nos postos de gasolina de Gravataí em busca de combustível. Nesta semana, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, pediu aos caminhoneiros a continuidade das manifestações. A categoria reivindica “uma política de isenção dos impostos incidentes no óleo diesel e o controle dos aumentos do combustível”. De acordo com informações da agência Estadão, a Abcam informou nesta quinta-feira que o movimento de paralisação da categoria só terminará quando a redução dos impostos dos combustíveis for publicada no Diário Oficial da União.

O gerente de um posto de combustível localizado no Centro de Gravataí disse que o local está há dois dias sem entregas. “Os pedidos de terça e quarta-feira ainda não chegaram, e não tem nem previsão para que isso ocorra”, disse Dorcival Gonzaga. Na tarde desta quinta, o gerente confirmou que a gasolina acabou na unidade – situação observada em outros postos de Gravataí e de Cachoeirinha.

Confira, abaixo, os reflexos da greve dos caminhoneiros em alguns dos principais serviços da região:

Hospitais

Através de nota, o Hospital Dom João Becker (HDJB) informa que alguns dos serviços da instituição estão sendo afetados e podem vir a sofrer alterações. “É importante salientar que a entidade segue com o fluxo normal de atendimento e segue acompanhando os casos, e adaptando as necessidades conforme a realidade, visando sempre a qualidade do serviço”, diz o texto.

A nota diz, ainda, que a entidade “demonstra imensa preocupação com as dificuldades no abastecimento de materiais e medicamentos, alimentos, transporte de funcionários, entre outros, e com a consequente desassistência à saúde” e que “mesmo diante de todas as dificuldades, os abastecimentos principais mantêm-se em ordem”. A nota foi enviada na tarde desta quinta-feira e é assinada pela diretoria do HDJB.

Já a gerente administrativa do Hospital Padre Jeremias, Angélica Konrad, informou que, até a tarde desta quinta-feira, não haviam registros de cancelamento de entrega de materiais. “Talvez possamos ter alterações a partir desta sexta-feira”, disse a gerente do hospital de Cachoeirinha.

Brigada Militar

Conforme o comandante do 17° Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Gravataí, tenente-coronel Paulo Cesar Balardin, o patrulhamento na cidade está afetado de forma parcial. “Como não sabemos o que irá acontecer no cenário nacional, estamos tendo que racionar nosso combustível. Desse modo, não podemos rodar tanto durante o patrulhamento – que, apesar disso, continua sendo feito”, esclareceu Balardin.

Já o 26° Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Cachoeirinha informou que a greve dos caminhoneiros não afetava as atividades da corporação até a tarde desta quinta-feira. “Está tudo normal. O posto em frente ao Batalhão reservou gasolina para as nossas atividades”, informou uma fonte do 26° BPM.

Transporte Coletivo

Na quarta-feira, a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) divulgou que, devido a dificuldade de abastecimento de combustível (diesel), a companhia autorizou que as empresas circulem com escala de sábado, nos horários de baixa demanda, a partir desta quinta-feira. Em Gravataí, a Sogil informou que, nesta sexta, das 5h30 às 8h30 e das 16h30 às 19h30, operará sua escala normal de dias úteis nas linhas municipais e intermunicipais. Fora destes horários, será escala de sábado. A medida já havia sido tomada nesta quinta.

Em Cachoeirinha, a Stadtbus informou que nesta sexta, até às 8h30, todas as linhas funcionarão sem alterações. “Após este horário, será feita uma avaliação da atual situação, e devidas providências serão tomadas, se necessário”.

Abastecimento

Questionada sobre uma possível falta de água em Gravataí e Cachoeirinha em decorrência da greve, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) informou que o principal impacto da paralisação se dará nas regiões Sul e Central. Em nota, a empresa disse que já fez contato com a Secretaria de Segurança do Estado e com a Polícia Rodoviária Estadual e Federal para viabilizar o deslocamento de produtos importantes para o abastecimento de água. “O problema só não é maior porque temos estoque de produtos. Se não possuíssemos, teríamos problemas nos 317 municípios atendidos”, finaliza a Companhia.

Energia

Através de seu site, a RGE informou nesta quinta-feira que irá “adotar um plano de contingência para garantir a continuidade do fornecimento de energia e a manutenção prioritária dos serviços emergenciais aos clientes de suas distribuidoras” e que “as equipes priorizarão o atendimento a clientes especiais, como hospitais e UTIs domiciliares, e a realização de serviços emergenciais e ocorrências que possam comprometer a segurança da população”, diz o texto.

Supermercados

O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, informou, através do site da entidade, que agravaram-se os problemas de abastecimento de mercadorias para supermercados gaúchos em decorrência da paralisação dos caminhoneiros em todo o Brasil. O dirigente salienta, entretanto, que os supermercados possuem um estoque médio de segurança de 15 dias nos produtos não perecíveis.

General Motors

Através de nota enviada nesta semana, a General Motors (GM) informou que “o movimento dos caminhoneiros está impactando o fluxo logístico em suas fábricas no Brasil, com reflexo nas exportações. Com a falta de componentes, as linhas de produção começam a ser paralisadas e também estamos enfrentando dificuldades na distribuição de veículos à rede de concessionárias”, diz a montadora. Através de sua assessoria de imprensa, a GM informou nesta quinta-feira que não tem uma posição a respeito da retomada das atividades.

Preço dos combustíveis

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira a terceira redução consecutiva do preço da gasolina. A partir desta sexta, o litro do combustível passará a custar R$ 2,016 nas refinarias da estatal – representando uma queda de 0,72% em relação ao preço atual, R$ 2,0306. Em três dias, o preço da gasolina acumula queda de 3,39%. Apesar disso, o combustível acumula alta de 12,14% em maio. Já o diesel manteve o preço de R$ 2,1016 por litro. Na última quarta-feira, devido à greve dos caminhoneiros, a Petrobras reduziu o valor do combustível em 10% pelos próximos 15 dias. As informações são da Agência Brasil.

Procon

O Procon de Gravataí disse que “notificará os postos para apresentar notas fiscais do combustível comprado da distribuidora”. O objetivo é verificar se houve vantagem manifestamente excessiva no aumento do combustível. Se for comprovado um aumento abusivo, o fornecedor será multado. “A população pode denunciar esses aumentos abusivos apresentando a nota fiscal no Procon de Gravataí. O órgão funciona de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h30, na Rua Irmão Geraldo, 141, no bairro Salgado Filho. “Peça a nota fiscal ao abastecer. Estamos recebendo denúncias e apurando eventuais abusos e ilícitos”, diz o órgão.

Em Cachoeirinha, de acordo com o secretário de Assistência Social, Valdir Mattos, o Procon está monitorando as notas de compra e venda de combustíveis pelos postos da cidade e mantém contato com o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor para a adoção de medidas conjuntas.

Bloqueio de rodovias

Até à tarde desta quinta-feira, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, não havia registro de bloqueio total na freeway.