Famílias da Olaria começam a ser retiradas | 2M Notícias

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Famílias da Olaria começam a ser retiradas

Famílias da Olaria começam a ser retiradas

por Caroline Weigel

Mesmo com a previsão de tempo bom, a quarta-feira, 15, amanheceu nublada e chuvosa. O clima só ajudou a agravar ainda mais os problemas dos moradores da Vila Olaria. A equipe do Correio de Cachoeirinha acompanha desde a segunda-feira, 13, o avanço do rio e da enchente no bairro e ficou visível a força da água, que a cada dia sobe mais.

Na tarde de ontem, 15, a Defesa Civil começou a remover algumas famílias do bairro. Outras já tinham deixado suas moradias e ido até casas de parentes e amigos. Estavam no local funcionários da Prefeitura, a Guarda Municipal, ajudando no deslocamento das famílias, Agentes de Trânsito e os Bombeiros, que trouxeram seu barco para ajudar a Defesa Civil.

Os moradores, com seus barcos, também ajudavam como podiam. Fátima Rejane trazia os pertences de uma amiga, que tem um menino doente e não pode ficar ilhada. “Na minha casa não entrou, espero que não entre água. Mas a última vez que entrou foi há três anos”, lembra.

Ela comentou também que nesses meses as chuvas vieram mais cedo. “Chegou adiantado e veio muito rápido. De um dia pro outro mudou completamente. Espero que não suba mais do que isso”, acrescentou Fátima, que mora no bairro há cerca de 13 anos.

Ela também diz que é importante ficar cuidando, pois ocorrem muitos assaltos. “Se largar tudo por conta, acaba não sobrando nada”, relatou.

Kelly Oliveira Santos, 30 anos, carregava sua máquina de lavar, a centrífuga e a televisão para levar até o abrigo. Ela mora junto com a mãe Sandra Beatriz dos Santos, de 54 anos, e com o irmão Anderson Olveira dos Santos, de 27 anos.

A água ainda não havia invadido sua casa, mesmo assim ela achou prudente ficar temporariamente no abrigo. “Falta um degrau e meio para a água entrar. Deixei algumas coisas, levantamos tudo, a geladeira desligamos. Acho que não vai entrar água”, comenta.

Rodeada de crianças, Maria Aparecida também não tinha água dentro de sua casa, mas estava indo para o abrigo por causa dos mais novos. “Nós estamos em 11 pessoas lá, seis são crianças. A gente sempre costuma ir para o abrigo. Antes não estava tão alto assim, mas a chuva não parou”, conta. Os maridos ficaram na residência para levantar os móveis caso o rio avance ainda mais.

Defesa Civil cumpre seu papel

Cemarino de Freitas Rosa, supervisor da Defesa Civil, o trabalho de retirada das famílias começou às 14h de ontem. “Ninguém é obrigado a ir, mas se a pessoa estiver correndo risco, nós tiramos ela e levamos para o abrigo. Em primeiro lugar, o bem maior, que é a vida”, explicou.

Segundo ele, o rio continua subindo. Até às 15h desta quarta-feira, ele estava em 5,10 metros, quando sua altura normal é de 1,60m. “O rio deve continuar subindo mais uns três ou quatro dias, e aí dependemos também do clima”, relata.

Abrigo

A coordenadora do Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) Carlos Wilkens, Rejane Pereira Webber, já estava conversando com as famílias no abrigo, que fica na Casa de Cultura, próximo à ponte que faz divisa com Porto Alegre.

Ela contabilizava, com a ajuda dos moradores, o número de pessoas, para solicitar jantar para todos. “Temos de 35 a 40 pessoas hoje, e chegarão mais 10. Serão em torno de 50 pessoas aqui no abrigo”, explicou.

A assistência social, através da cozinha comunitária, cuida de toda a alimentação, com jantar, café da manhã e almoço. Além disso, uma equipe do Serviço Especializado contra o Trabalho Infantil (SETI) vai até o local fazer atividades recreativas com as crianças, que por enquanto são em torno de 10, mas o número deve aumentar. “E se fosse em período escolar, disponibilizaríamos uma Kombi para levar as crianças para a escola também”, acrescenta.

Ela diz que nesta quinta-feira uma assistente social estará no abrigo para conversar com as famílias, e que não há previsão de retorno para suas casas. “Não temos nenhuma previsão, tudo vai depender do tempo”, completa.

Marcia Gomes Urbano estava no abrigo, ajudando a contabilizar o número de pessoas. “Falta um palmo para entrar na minha casa a água. Já ergui o que tinha para erguer. Ano que vem, se eu não sair dali, ergo mais a minha casa. Moro há 8 anos ali, mas a água começou a entrar na minha casa do ano passado para cá”, fala.

Águas baixam no Meu Rincão

O bairro Meu Rincão, que passava por uma situação mais crítica na segunda e terça-feira, já está com as águas mais baixas, e muitos já começam a voltar para suas residências. O Gaúcho Solidário, grupo de Cachoeirinha que faz um trabalho social na cidade, está arrecadando doações para os moradores de lá.

Quem quiser ajudar pode entrar em contato com um dos membros do grupo, Pedro Fraga, Anderson Farinha, Mano Odair ou Mauro Pires, através do Facebook.

Doações

A Defesa Civil está aceitando todas as doações. “Quem quiser doar, pode entrar em contato que a gente busca. Se puder trazer na Defesa Civil é até melhor, ajuda muito”, destaca Fernando.

Roupas, alimentos e material de higiene estão entre os principais produtos necessários, mas toda a doação é bem vinda.

A sede da Defesa Civil está localizada na Rua José Antonio Lutzenberger, 220, bairro Moradas do Bosque. O telefone para contato é o 3041-6216.

 

Fotos: Dijair Brilhantes / CC