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Em protesto, servidores municipais voltam a ocupar a Câmara de Vereadores

Em protesto, servidores municipais voltam a ocupar a Câmara de Vereadores

Conforme já era anunciado pelos servidores do município de Cachoerinha, a terça-feira, 28, foi marcada por protestos dos funcionários do setor público.

As manifestações tiveram início durante a tarde. Por volta das 15 horas, um grupo com cerca de 30 servidores, a maioria deles da educação, se reuniu em frente à Prefeitura Municipal.

Os manifestantes levaram cartazes com o rosto e com os dizeres “estamos de olho” dos 12 vereadores que votaram a favor da mudança da lei orgânica, que inclui a alteração da data do 13° salário dos servidores. Um caixão com a foto do Prefeito Vicente Pires, (PSB) foi feito pelos servidores.

Cartazes em agradecimento aos vereadores que votaram contra a alteração também foram expostos.

Conforme o presidente do Sindicato do Municipários de Cachoeirinha, Guilherme Runge, a manifestação serviu para que os poderes executivo e legislativo do município entendam que os servidores repudiam a política exercida no município. “Estamos apenas manifestando o repúdio com estas lideranças do governo, que por má administração pública pratica o arroxo no servidor”, explica Runge.

Servidores da educação prejudicados

Segundo a servidora Eva Martins, a aprovação das mudanças na lei prejudicaram muitos os servidores públicos. “As pessoas estavam contando com esse dinheiro, vai entrar o salário do mês, mas quem tem empréstimo não vai receber, pois o banco vai descontar do pagamento do mês já que não irá entrar a parcela do 13º”, explica Eva, que trabalha como cozinheira da Escola Municipal de Educação Infantil Granjinha, no Bairro Granja Esperança.

A funcionária da EMEI lamenta a falta de diálogo e de propostas do poder executivo. “Não nos deram outra proposta, disseram para nós fazermos um novo empréstimo junto ao banco, mas não nos dão garantias. E se não pagam no final do ano?”, questiona Eva.

Sessão tumultuada

Por volta das 16h30min, os servidores saíram da Prefeitura Municipal Cachoeirinha em caminhada até a Câmara de Vereadores. Chegando lá, mais uma vez deixaram expostos os cartazes com as fotos dos vereadores e o caixão com o rosto do prefeito.

Como ocorre toda as terças-feiras, às 18h30min iniciada a sessão. Em pauta o segundo turno da lei orgânica. Sob os gritos de “traidores”, o Presidente da casa Nelson Martini (PTB) solicitou que a primeira secretária, a vereadora Jacqueline Ritter (PSB) lesse a ata. Muito vaiada, era quase impossível ouvir a voz da vereadora. Os servidores não aceitam o fato de Jacqueline, que além de vereadora é servidora (professora) ter votado em favor do governo. “Ela é professora do município, votou contra nós”, disse uma das manifestantes. A vereadora contesta. “Ao contrário da última sessão eu votei contra a modificação da Lei Orgânica. Fui favorável ao adiamento do pagamento do 13º neste ano, por compreender a crise no cenário econômico”, falou Jacqueline Ritter. No entendimento da vereadora, a Lei Orgânica não deve ser alterada.

Contestação

Entre aplausos e vaias o Vereador Irani Teixeira (PCdoB) ocupou a tribuna em defesa dos servidores. “O governo se queixa que não tem dinheiro para pagar servidor e paga R$ 1800 por dia em alojamento, com espaços livres, como o Ginásio Municipal”, lembrando a polêmica com relação ao espaço alugado pelo município para alojar os desabrigados da enchente.

O vereador ainda ressaltou o constrangimento que alguns servidores estariam passando nos bancos. “Esse projeto define que o servidor vai ter que arcar com as consequências. O banco não quer saber de nada. Eu imagino o constrangimento que o servidor vai passar. Quem é que assume o juro do cartão de crédito, do cheque especial? Tem professores em recesso, que estão viajando, que nem sabem que este projeto está sendo votado. Eu estou extremamente constrangido com o que vai ser votado logo mais. Todos os servidores estão sendo prejudicados. É lamentável o que pode ocorrer daqui a pouco”, falou o vereador.

A vereadora Rosane Lipert (PT), também discursou sob algumas vaias e gritos de incentivo. Rosane ressaltou que os vereadores que votaram a favor da mudança da lei não quiseram se pronunciar, e ainda fez alguns questionamentos: “Me parece que a maioria dos vereadores não quis falar. Defender o indefensável é isso. O que está acontecendo em Cachoeirinha?”, questiona. “Não subestimem a inteligência do povo. A gente fica triste. Para pagar R$ 1800 por dia não tem crise. Tenho certeza que o CTG Rancho da Saudade, por exemplo, acomodaria as pessoas. Temos vários espaços públicos, CTGs, Igrejas, escolas, que poderiam ter acolhido aquelas famílias.  Todos erram, mas somente os sábios reconhecem e voltam atrás. É preciso alguém do Governo Municipal reconhecer que erraram”, disse a vereadora. “Todos os direitos trabalhistas foram conquistados a duras penas. Não tem como a gente votar contra os direitos adquiridos do servidor municipal”, concluiu Lipert. As vaias para ambos os vereadores teriam vindo de alguns funcionários que possuem cargos comissionados do governo, que teriam sidos convocados a ocupar parte das cadeiras da câmara e acompanhar a sessão.

“Voltarei para casa orgulhoso”

Assim finalizou o discurso o vereador Antônio Teixeira (PSB), que diferente dos demais legisladores foi ouvido em silêncio pelos servidores e por todo o público presente na sessão. “Tem certos dias que é dia de falar, tem outros que é de escutar, tem dias que é de aprender, tem dias que é de ensinar. Não sou vereador que fica calado, que não dá sua opinião. Aqui é a casa de falar, a casa de ouvir”, falou emocionado o vereador,  que criticou a atitude dos colegas em alterar os direitos do funcionalismo público. “Não mexam com o funcionário público. Independente de qualquer coisa, vamos para casa com essa verdade. Direito adquirido é direito adquirido. Eu só vim aqui defender o direito dos funcionários, não estou contra o governo. Estou apenas defendendo o direito do servidor de receber seu 13º em dia. Os funcionários de todas as instâncias do Brasil não podem pagar a conta da crise”.

Após o fim da sessão os servidores deixaram a câmara ainda sob protestos e prometem seguir lutando para que o município dê respaldo aos trabalhadores. “Nós seguiremos no embate, eles tem que saber que não vão mexer nos nossos direitos assim e sairemos calados, vamos lutar  pelo que é nosso”, falou Guilherme Runge, diretor sindical.   

 

FOTOS: Dijair Brilhantes