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Coluna: Para se Distrair

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Dois filmes de comédia para animar as férias de inverno. Os dois retratam – cada um com suas peculiaridades – como pequenas decisões podem influenciar a nossa vida. São filmes leves, divertidos e com roteiro muito bem feito. Vale a pena!

 

Mais estranho que a ficção

Mais Estranho que a ficção

Título Original: Stranger than Fiction

Gênero: Comédia/ Romance/ Fantasia

Duração: 1h45

Dirigido por Marc Forster

 

Normalmente filmes com histórias paralelas ou entre dois universos tendem a ser confusos, mas esse não é o caso de Mais Estranho que a Ficção. Além de divertido, ele deixa claro quando está em cada trama. O filme narra – literalmente em alguns momentos – a vida de Harold Crick (Will Ferrell). Ele é um funcionário da Receita Federal que trabalha verificando contabilidades de pessoas que caem na malha fina, ou seja, ele é odiado por quase todas as pessoas que visita. Ele – e seu relógio, que é tratado como personagem – tem uma rotina bem calculada e padronizada. É tudo bem comum na vida de Harold Crick até que um dia ele escuta uma voz que parece estar narrando sua vida e de repente comenta algo relacionado à sua morte iminente. Essa voz é a de Karen Eiffel (Emma Thompson) que na verdade está escrevendo um livro sobre Harold Crick. Óbvio que o Harold não sabe disso no início, o que torna a história toda da descoberta muito engraçada, passando até pela psiquiatra que acha que ele sofre de esquizofrenia. Se ele não sabe dela, ela também não sabe que ele é uma pessoa de verdade. Karen é uma escritora muito bem sucedida e famosa, mas seu último livro foi lançado há mais de 10 anos. Ela está com bloqueio criativo e não sabe como continuar a história de Harold, então sua editora contrata uma assistente (Queen Latifah) para ajudá-la. Harold é um personagem cativante, com suas excentricidades e atitudes criativas como as flores de farinha. Um filme para pensar nas pequenas coisas, dar valor aos momentos rotineiros e ao mesmo tempo não se resignar a uma rotina, ter a coragem de se aventurar. A história desafia a tentar fazer diferente e também a se aventurar a fazer tudo igual. A forma como ele aborda a ficção tornando-a real é o melhor da trama. Todo mundo que ama filmes ou livros já escutou de algum amigo algo como “porque tanto apego? É só uma história”. Ele tem um enredo que mostra que vai muito além disso, que esse “é só uma história” afeta muito a nossa vida. Quem nunca se colocou no lugar da garota que sofre por amor? Ou da pessoa cansada da sua rotina? O filme aborda muito bem o que o seu título sugere. O final dele é demais e tem uma baita lição – não vou contar, afinal chega de spoillers.

 

A Mentira

A Mentira

 

Título Original: Easy A

Gênero: Comédia/ Romance

Duração: 1h32

Dirigido por Will Gluck

 

Esse é um filme que teve ótima recepção da crítica norte-americana e sua trilha sonora fez sucesso – a aposta era essa mesmo, tanto que o CD foi lançado três dias antes do filme. A história se passa numa escola de Olai. Olive (Emma Stone), uma garota impopular que faria de tudo para ser notada, ela faz altas comparações dela com coisas supérfluas e que ninguém nota. Cansada de só ouvir histórias e nunca ser a protagonista, ela conta algumas mentiras para sua melhor amiga Rhi (Aly Michalka). Rhi acabou facilitando o início da história porque pressionou a amiga a contar e a induziu. Olive acaba contando que perdeu a virgindade com um cara da faculdade. Sendo que, na verdade, ela passou o final de semana em casa, ouvindo “Pocketful Of Sunshine” de um cartão que recebeu de seu avô. Só que ela conta essa mentirinha no banheiro da escola, por isso Marianne Bryant (Amanda Bynes) uma religiosa e fofoqueira da escola, escuta e espalha tudo por toda a escola, e Olive passa a ser conhecida como a garota mais desavergonhada da escola. Esse filme não segue a linha American Pie onde todo mundo fazia loucuras sexuais. Esse se passa numa escola de colegial, onde todos – ou quase todos – os alunos são virgens ou puritanos. Por isso ela foi tachada como sem vergonha por ter ido para a cama com um garoto de faculdade que viu uma vez na vida. E ela mantém sua fama, cobrando a rapazes, também considerados impopulares, para fingir ter saído com eles. Fora da escola, o que chama a atenção na história é a família de Olive que é aquela que qualquer adolescente pediu a Deus. Engraçados, parceiros, que querem a melhor educação e fazem piadas com os filhos. Tirando os momentos constrangedores, gerados principalmente pela liberdade em falar de coisas relacionadas a sexo. É bem interessante que eles brincam até com o fato de o filho caçula ser adotado. Ele já deve ter uns 11 anos e os pais tem o cuidado de não deixar que ele ouça palavrões. Outro ponto que chama a atenção no filme é o grupo de cristãos. Eles são representados de forma bem esteriotipada, roupas de jogador de tênis, crucifixo – prata e não o comum de madeira – e que as atitudes não condizem com o que falam. Eles mesmos falam que Jesus disse para amar a todos, mas eles querem expulsar Olive ao invés de tentar ajudá-la. Passam horas cantando e louvando sem se preocupar com o mundo ao redor. É bem a visão que a sociedade tem do cristão: alguém que reza, mas sem amor. Não tem nenhuma criatividade representá-los assim, mas para a ideia de solidão total da garota que Will Gluck queria passar funcionou. Emma Stone ficou divina no papel, não é a toa que ganhou seis prêmios de melhor atriz. O filme vale muito a pena, garante boas risadas e tem conteúdo.