"Cachoeirinha tem tudo para crescer ainda mais" | 2M Notícias

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“Cachoeirinha tem tudo para crescer ainda mais”

“Cachoeirinha tem tudo para crescer ainda mais”

por Caroline Weigel

Antônio Gomes Alano, um personagem de destaque na história da cidade, lembra da emancipação e fala sobre os avanços do município

“Sou da época dos botos. Lembra da história dos botos?”, pergunta Antônio Gomes Alano, morador de Cachoeirinha antes mesmo da cidade ser emancipada. Há 56 anos – quando tinha apenas 22 – o nosso personagem saiu de Porto Alegre, onde morava, e adquiriu um terreno em Cachoeirinha, que ainda integrava Gravataí.

“Um casal de botos encalhou no rio, e aquilo foi uma festa. Todo dia vinha alguém olhar eles, eu lembro que foi quase uma celebração”, continua contando Alano. Vindo de Santo Antônio da Patrulha, o jovem morava e trabalhava em Porto Alegre, no setor de hortifrúti, e vendia na Ceasa. “Também tive plantação de abacaxi na Paraíba e trazia para cá”, conta.

Alano viu em Cachoeirinha um lugar barato para comprar e adquirir um terreno. Ele enxergava que a cidade teria um grande potencial para emancipação. “Cachoeirinha era dormitório de Porto Alegre, teria condições próprias justamente por estar apegado à Capital”, esclarece.

Aos poucos, Alano também foi investindo na cidade. “Eu via que a cidade tinha muito progresso, pela quantidade de indústrias que se mudavam para cá”, ressalta. Junto com outros moradores, eles construíram um prédio, chamado Morada Tropical, no bairro Eunice, onde ele mora atualmente. Além disso, ele adquiriu outros terrenos na cidade, investindo e acreditando no crescimento da região.

“Quando emancipou, o município melhorou muito. O prefeito Francisco Medeiros foi muito trabalhador, colocava todo mundo a trabalhar junto, ajudava. Também teve o Francisco Rodrigues, que fez toda a Avenida Flores da Cunha, foi um dos melhores prefeitos. Na época, Cachoeirinha não tinha nada, nem indústria, e ele deu um golpe de sorte, pegando empréstimo, mas veio a Lei da Convenção e os empréstimos extinguidos, e ele nunca precisou pagar por isso”, reconhece.

Crescimento

Para Alano, a cidade tem tudo para crescer, basta uma boa administração. “É um município pequeno, mas rico, com bastante arrecadação, mas não estamos recebendo o retorno necessário”, salienta.

Segundo ele, é fácil de administrar, pois tem muita renda. “No centro da cidade, a prefeitura não tem quase investido, é só os proprietários que investem nas calçadas. A avenida principal é o cartão-postal e não há investimento lá”, alega.

Na área do turismo, Alano diz que se fizesse alguma coisa bem organizada usando o rio, poderia ser um atrativo. “Uma embarcação, para fazer um passeio, algo nesse sentido”, sugere.

Junto com a esposa Severina Gomes Alano, as duas filhas e os quatro netos, Alano se considera um vencedor. “A gente saiu do nada para construir tudo, a gente não tem grande coisa, mas se considera vitorioso porque tem uma renda para viver e conseguiu encaminhar bem a família”, comemora.

 

Foto: Dijair Brilhantes/CC