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Mãe registra maus tratos em creche no Parque da Matriz

Mãe registra maus tratos em creche no Parque da Matriz

por Caroline Weigel e Dijair Brilhantes

A manhã da última sexta-feira, 27, começou tumultuada em uma creche localizada na rua Érico Veríssimo, 264, no Parque da Matriz.

Shana Reis, mãe de uma das crianças, desconfiou que o filho de um ano meio de idade sofria maus tratos na creche. Foi então que ela resolveu acoplar uma câmera escondida no carrinho do filho. Quando ela viu as imagens do dispositivo, ficou estarrecida. Segundo ela, o vídeo comprova que as crianças sofriam agressões durante o período de estadia no local. As imagens mostram uma das crianças sendo agredida por tapas e ameaças de chineladas pela diretora da instituição.

Desconfiança

Segundo Shana Reis, a desconfiança começou devido a problemas considerados simples até então. “Na verdade eu não estava gostando da organização da creche, vinham anotações na agenda diária com coisas que não condizem com as que meu filho costuma fazer”, conta Shana, que é assistente social.

A mãe diz ainda que quando chegou em um comércio da cidade comentou com os proprietários que estava procurando uma nova creche para colocar seu filho, já que não estava gostando da organização do local. “Comentei que gostaria de trocar meu filho de creche, que eu não estava gostando da organização da Baby Disney, quando uma funcionária que trabalhava no local me chamou e contou o que acontecia no lugar”, diz Shana. “Mesmo cheia de receios a funcionária me contou o que acontecia, daí eu resolvi conversar com meu marido para ver o que faríamos”, complementa.

As mães e pais estavam na 1ª Delegacia de Polícia e foram ouvidas, prestando queixa da acusação. Os pais se mostraram indignados e muito comovidos com o acontecimento; nas redes sociais, o vídeo teve mais de três mil compartilhamentos

As mães e pais estavam na 1ª Delegacia de Polícia e foram ouvidas, prestando queixa da acusação. Os pais se mostraram indignados e muito comovidos com o acontecimento; nas redes sociais, o vídeo teve mais de três mil compartilhamentos

Gravações

No vídeo divulgado nas redes sociais é possível ver claramente as agressões que Santina Silveira, diretora da creche, cometia contra uma das crianças. Liliane Pappen, a mãe do menino que aparece no vídeo, conta que o filho andava muito agitado e que chorava muito quando era deixado na escola. “As crianças pequenas ficavam no andar de baixo da escola, os grandes no andar de cima, para que os maus tratos não fossem visto pelos maiores”, relata Liliane, emocionada.

Liliane paga R$ 950 por mês para deixar os dois filhos, uma menina de 3 e o menino de 1 ano, na creche Baby Disney.

Foram precisas várias gravações para que fossem registrados os maus tratos. “Tivemos que fazer algumas tentativas, porque não conseguíamos posicionar a câmera de maneira para que pudéssemos comprovar os fatos, uma hora a câmera estava virada para o lado contrário, outro o áudio ficava ruim”, diz Shana.

Responsável pelas imagens, a assistente social conta que teve que manter a calma, depois que ouviu os relatos, para não tomar a decisão errada. “Meu marido e eu conversamos, e decidimos que teríamos que ter calma, pois caso contrário perderíamos as provas”, conta.

Dois vídeos comprovam as agressões, o primeiro foi gravado no dia 18 de fevereiro e o outro no último dia 24.

Mobilização

Após ter as imagens Shana e o esposo, foram até a entrada da creche para contar aos outro pais o que estava ocorrendo. Após uma reunião eles resolveram fazer a denúncia. “Foi preciso calma para contar aos pais, todos ficaram muito chocados, mas era preciso manter o foco para tomarmos a decisão certa”, relata.

Registro

A ocorrência foi registrada na 1º Delegacia de Polícia de Cachoeirinha. Os pais das crianças envolvidas no caso foram ouvidos.

Segundo o investigador e vereador Marco Barbosa, a creche precisa ser fechada o quanto antes. “Eu, como presidente da Comissão de Segurança da Câmara, irei encaminhar ofício ao ministério público e a secretaria de educação solicitando providências diante da gravidade do fato, a creche precisa ser fechada, conclui o vereador.

Acusada se diz vítima

A acusada, Santina Silveira, foi até a 1ª Delegacia de Polícia para registrar uma ocorrência como vítima. Ela alegou que os pais invadiram a creche na manhã de sexta-feira, 27, e a agrediram, nos braços, no rosto e nas costas. “Me chutaram nas costas, bateram em meu rosto, meu óculos foi parar longe. Não pode bater no rosto de quem usa óculos”, disse.

Ela afirma ainda que não tem nada a temer. “Eu achei muito feio e fora de ética, chamaram a Brigada, chamaram a televisão, câmera, um absurdo”, completou.

Após o preenchimento do boletim de ocorrência, Santina Silveira foi encaminhada para o IML para fazer o exame de corpo de delito.

Santina Silveira não se deixou ser fotografada; no vídeo, ela chama a criança de “prevalecida” e a ameaça com um chinelo, mandando que pare de chorar imediatamente, além de estapear o bebê; de acordo com o Conselho Municipal de Educação, a creche ainda não possuía licença para estar atuando no município, já que nem todos os documentos foram entregues; eles haviam sido notificados mais de uma vez

Santina Silveira não se deixou ser fotografada; no vídeo, ela chama a criança de “prevalecida” e a ameaça com um chinelo, mandando que pare de chorar imediatamente, além de estapear o bebê; de acordo com o Conselho Municipal de Educação, a creche ainda não possuía licença para estar atuando no município, já que nem todos os documentos foram entregues; eles haviam sido notificados mais de uma vez

Conselho Tutelar

Para a conselheira tutelar Tárciz Laus, que está acompanhando o caso, a situação é muito tocante. “Até para nós, que estamos acostumados com algumas situações difíceis, foi muito chocante”, destacou.

“Os familiares das crianças entraram em contato na noite de quinta-feira, 26, e então o Conselho Tutelar orientou as medidas que deveriam ser tomadas. As famílias tomaram todas as providências de forma correta”, salientou.

O Ministério Público e o Conselho Municipal da Educação foram informados pelo Conselho Tutelar para que haja a interdição da escola. “Sabemos também que a escola não estava autorizada a funcionar, a documentação estava ainda em andamento no Conselho Municipal de Educação”, acrescentou.

O Conselho Municipal de Educação enviou um documento ao Conselho Tutelar dizendo que a referida escola “não concluiu o processo de credenciamento no sistema municipal” e que foi notificada mais de uma vez para que concluísse o processo, o que nunca foi feito.

Duas funcionárias que trabalhavam no local confirmaram, em depoimento, que os maus tratos realmente ocorriam. “É muito triste essa situação, dentro do nosso município”, finalizou Tárciz.