Amor de mãe é o mais belo do mundo | 2M Notícias

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Amor de mãe é o mais belo do mundo

Amor de mãe é o mais belo do mundo

por Caroline Weigel

É muito difícil colocar em palavras o que é ser mãe. Impossível também é descrever o sentimento de uma mãe por um filho.  Talvez, apenas contando uma história como a de Anamarcia Mey, que adotou cinco filhos e depois teve mais um bebê, que se consiga chegar próximo do amor que transborda no olhar e nas palavras que descrevem sua vida.

Anamarcia e seu marido José Antônio são casados há oito anos e sempre tiveram o desejo de serem pais. “Nós sentíamos um amor tão grande entre nós, que precisava ser compartilhado com mais pessoas, com os filhos que nós iríamos ter”, lembra.

Desde o início, ela sempre quis mais do que dois filhos. Queria a casa cheia! E, para ela, engravidar nunca foi problema, mas a adoção era um desejo. “Nós víamos a adoção como uma opção, não como uma falta de opção como muitos enxergam”, conta.

Um ano depois de casados, eles conversavam com uma amiga assistência social e expressaram o desejo de conhecer um abrigo e ter um contato com as crianças que estavam no local. Assim, eles foram até Santa Catarina para conhecer um lar.

“Parece que foi o destino que quis que estivéssemos lá naquele momento. Quando eu cheguei, já vi o Edimilson e a Janaína, com 4 e 5 anos na época, sentadinhos numa muretinha e logo me aproximei deles. Enquanto eu conversava com os dois, meu marido falava com a assistente social do local, que explicou que haviam ainda mais dois irmãos no abrigo”, lembra.

Logo naquele momento, já aflorou em Anamarcia o sentimento de mãe por aquelas crianças. Ela entrou com o pedido de adoção e, por se tratar de uma adoção tardia e ainda com todos os irmãos, o processo foi mais rápido que o normal. “Do dia em que eu conheci eles ao dia em que os levei para casa, levou 40 dias. Fiquei dois anos com a guarda provisória e depois ganhei a guarda total”, explica.

Mais dois

Quando estava com os quatro filhos em casa – Eduardo Maximianus, Henrique Maximus, Janaína Temis e Edimilson Tiberius -, Anamarcia ouvia as crianças comentando sobre um quinto irmão, o Léo. Depois de algum tempo, ela decidiu ligar para a assistente social, para saber notícias sobre Leonardo Lucius, e a assistente social disse na mesma hora que ele tinha vinda para o abrigo. “Ela me disse que seria difícil adotar ele, porque eu já estava adotando quatro crianças, e eu disse que não, que difícil era manter os irmãos separados e que eu estava indo buscar ele”, destaca.

Uma semana depois, a família toda estava reunida. “Parecia que estávamos esperando aquele momento para a felicidade ficar completa. É incrível como as coisas foram se encaixando”, ressalta.

Dois meses depois, mais uma notícia: Anamarcia estava grávida de Catarina Helena. “Em menos de um ano, eu era mãe de seis filhos! A Catarina nasceu muito mais para ser irmã deles, a adaptação entre todos é muito boa”, relata.

Os seis irmãos estudam no Colégio Inedi, e a adaptação no local foi de grande ajuda para a adaptação social das crianças. “Os professores entenderam e ajudaram. As crianças também. Uma crianças não tem preconceito, maldade. Eles não veem as diferenças”, completa.

Sentimento de mãe

Quando voltava de Santa Catarina, com os filhos no carro, Anamarcia vinha emocionada durante todo o caminho. “É impossível de imaginar eles não estando com a gente. Não consigo enxergar minha vida sem meus filhos. Faria tudo de novo, não me arrependo de nada”, salienta.

“Sempre estivemos preparados psicologicamente e afetivamente, mas a parte da logística e da estrutura ainda estamos aprendendo até hoje”, confessa. O casal teve apenas 16 dias para correr atrás de colchões, cobertores, roupas, para deixar tudo pronto para a chegada dos filhos. “A gente sempre teve ajuda da família, dos tios, cunhados, que no início se assustaram com nossa decisão, mas depois aguardaram as crianças na expectativa, sempre nos apoiando”, realça.

Dentre os Dias das Mães que já comemorou – já foram sete -, Anamarcia se lembra muito do segundo, quando Catarina ainda era um neném de colo. “Eu estava cansada, era uma correria grande, não estava com vontade de ir na homenagem. Mas fui. Chorei muito, de alegria. Aquilo foi uma injeção de ânimo, foi lindo”, relembra.

Antes de ser mãe, Anamarcia tinha uma ideia de que ela teria que ensinar muito aos filhos. “Eu ficava pensando: nossa, uma mãe tem que ensinar tanto! Mas, eu aprendo tanto com eles, cada dia é uma experiência nova”, afirma.

Para quem pensa em adotar, Anamarcia é enfática: “Tenha a vontade de ser mão. Adotar é uma opção, não uma falta dela”, conclui. Hoje, sete anos depois, os filhos têm idades entre 6 e 16 anos, e toda vez que fala deles, o brilho no olhar e a verdade no sorriso de Anamarcia são incontestáveis: o amor mais bonito no mundo é o de mãe.