A importância do adestramento correto | 2M Notícias

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A importância do adestramento correto

A importância do adestramento correto

O caso da senhora que morreu ao ser mordida por seu pit bull em Canoas, nessa semana, repercutiu nas redes sociais e nas mídias e levantou novamente a questão sobre o cuidado e criação com essa raça de cachorro.

A adestradora Camila Vasconcellos explica que sempre que ocorre um caso de ataque envolvendo cães da raça pit bull, há uma grande mobilização contrária à raça, apontando-a como o único ou principal fator responsável pela tragédia. “É importante salientar que todo cachorro pode morder, o que acontece é que cada cão reage de forma diferente a cada situação, o que no estudo do comportamento canino chamamos de ‘gatilhos de reatividade’”, ressalta.

Segundo Camila, cães podem morder para proteger seu território ou alimento, por medo e outros diversos motivos. “Estudos revelam que poodles, pinschers e até beagles tem índice maior de ataques do que pit bulls, mas estes casos curiosamente não viram manchete. Claro que cães grandes ou fortes causam ferimentos de maior gravidade, mas isso não os torna assassinos natos”, sustenta.

A adestradora destaca também que as raças são resultado de cruzamentos selecionados pelo homem para atender determinadas funções, tais como guarda, pastoreio, caça e companhia. Dentro desta seleção não foram obtidos padrões apenas estéticos, mas também de temperamento, embora toda raça possa apresentar cães com desvio em ambos. “Os pitbulls foram selecionados para serem cães de rinha e cruelmente explorados em lutas até a morte durante muitas gerações. Eles foram moldados para serem resistentes em combates e agressivos com outros cães (pit bulls devidamente socializados convivem muito bem com outros animais), nunca com seres humanos”, pondera.

O problema, de acordo com Camila, é que a raça caiu no gosto de ‘bad boys’ que passaram a utilizá-los para intimidação, como se fossem armas e instigados a apresentar agressividade contra pessoas. “Quanto a essa tragédia em Canoas, os vizinhos relataram que a vítima e seu filho, proprietário do animal, o agrediam frequentemente e que este estava ‘treinando’ o cão para guarda com técnicas extremamente invasivas e sem o acompanhamento de um profissional. O cão era submetido a choques, disparos de arma e muitas agressões para se tornar ‘bravo’”, conta.

“Segundo o relato do delegado em uma entrevista, o que causou o ataque foi a vítima ter ‘cutucado’ o cão com o rodo para que ele saísse do caminho. Então o cão fez apenas exatamente aquilo para o qual estava sendo ‘treinado’! Jamais se deve utilizar força ou intimidação para educar/treinar um cão, muito menos tentar realizar por conta própria um adestramento tão delicado como o de guarda”, salienta Camila.

Ela ressalta ainda que é importante observar o verdadeiro treinamento, com um profissional qualificado. “Atualmente temos muito material equivocado sobre comportamento e treinamento de cães sendo amplamente divulgado na internet, programas de televisão e até livros, atendo diariamente cães prejudicados por estas técnicas. Todo cão independente da raça ou porte deve ser socializado e caso haja a necessidade de alguma intervenção comportamental ou adestramento, um profissional qualificado deve ser consultado”, completa.