8 de março: Dia Internacional da Mulher | 2M Notícias

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8 de março: Dia Internacional da Mulher

8 de março: Dia Internacional da Mulher

por Caroline Weigel e Katia Almeida

Neste domingo, 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher, que tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.

O Dia Internacional das Mulheres e a data de 8 de março são comumente associados a dois fatos históricos que teriam dado origem à comemoração. O primeiro deles seria uma manifestação das operárias do setor têxtil novaiorquino ocorrida em 8 de março de 1857 (segundo outras versões em 1908). O outro acontecimento é o incêndio de uma fábrica têxtil ocorrido na mesma data e na mesma cidade. Não existe consenso entre a historiografia para esses dois fatos, nem sequer sobre as datas, o que gerou mitos sobre esses acontecimentos.

41,1% sustentam sozinhas o lar

O número de mulheres residentes em Cachoeirinha é superior ao número de homens. Elas ocupam 51,7% das casas em zona urbana na cidade, o que representa cerca de 61.105 mulheres espalhadas pelos 44.018km² da cidade.

O estereótipo de que mulheres ficam em casa enquanto os homens trabalham foi quebrado há muito tempo. Elas são maioria no setor de atividades de serviços, 82,5%, a média masculina neste segmento é menor, apenas 59,3%.

O número de mulheres com mais de 16 anos economicamente ativa é menor que o masculino, 32.276 contra 28.374 de ocupação feminina, sendo 24.943 brancas e 3.431 negras ou pardas.

A maioria das famílias compostas apenas por um genitor e o filho, é de mulheres, o total é de 85,7%. Em relação ao número total de mulheres, 69,4% delas – com mais de 16 anos – tem um ou mais filhos. Nas famílias em que esse padrão não se segue, o número de mulheres responsável pelo sustento familiar ainda é expressivo, 41,1%. Sendo a maioria delas negras ou pardas, com 46,2%. Contribuindo com a renda, sem ser a única a provê-la, elas representam 39,8% da média do rendimento familiar.

Por outro lado, há o percentual de mulheres de 16 anos ou mais que não possui rendimento algum, cerca de 20%. O número de homens na mesma situação cai para 12%.

Mulheres batalhadoras

Luciane Consuelo Felipe, 47 anos, sempre foi uma mulher forte que batalho muito para criar seus filhos. Mãe de Letícia, 17 anos, e Arthur, de 13 anos, há 3 anos ela se separou do marido e dois meses depois descobriu que tinha Fibrose Pulmonar Idiopática, uma doença degenerativa nos pulmões.

“Tive que parar de trabalhar e me encostar pelo INSS para fazer tratamento na Santa Casa, três vezes por semana. Isso durou dois anos e 8 meses, até que no dia 21 de dezembro de 2014 fui chamada para fazer meu tão esperado transplante”, conta.

Luciane sempre teve muito medo de não conseguir passar por todo esse processo, porque precisava cuidar dos filho e da casa. “Tinha medo de ficar dependente direto do cilindro de oxigênio, medo pelos meus filhos, como minha família é toda do Paraná, eles passaram muito tempo sozinhos e isso, para uma mãe, não tem pior”, lembra.

Luciane Consuelo Felipe, 47 anos, ao lado dos filhos Arthur e Letícia; há dois meses, ela passou por um transplante de pulmão

Luciane Consuelo Felipe, 47 anos, ao lado dos filhos Arthur e Letícia; há dois meses, ela passou por um transplante de pulmão

Passados dois meses do transplante, hoje Luciane está se sentindo bem e confiante de que tudo irá dar certo. “Queria dizer para as grandes guerreiras que passam por situações parecidas, para que nunca, em hipótese alguma, percam a fé, a força e a coragem”, acrescenta.

Para ela, ainda falta muito a ser conquistado nos direitos iguais entre homens e mulheres. “Hoje as mulheres tiveram muitas conquistas, sim, mas ainda falta muito. Porém, com perseverança, tudo é possível”, completa.

Luta diária

A manicure Márcia Silva, 37 anos, moradora de Cachoeirinha desde que nasceu, ganhou sua filha Mariana quando tinha 20 anos. O pai da menina não quis pagar pensão e nem registrar a filha, então desde sempre Márcia cuidou sozinha de sua filha. “Até os 4 anos da Mari, meu pai me ajudava a cuidar dela. Mas ele faleceu e eu acabei tendo que me virar sozinha”, conta.

Márcia Silva, 37 anos, criou a filha Mariana sozinha, já que o pai não quis registrar a menina nem pagar pensão; ela contou com a ajuda da mãe e das irmãs, que deram bastante força

Márcia Silva, 37 anos, criou a filha Mariana sozinha, já que o pai não quis registrar a menina nem pagar pensão; ela contou com a ajuda da mãe e das irmãs, que deram bastante força

Assim, ela precisou correr para trabalhar mais. Trabalhava fora e depois cuidava da casa e de sua filha. Contava com a ajuda das irmãs e da mãe, que sempre a apoiaram muito. Para conseguir sustentar a família, Márcia trabalhou em diversos lugares, em padaria, loja de calçado, salão de beleza, no pedágio, como faxineira e também como manicure, atual profissão.

“Eu precisava ter pessoas de confiança, precisava de tempo para ficar com ela. Me doía ela querer as coisas e eu não ter para dar. Mesmo assim, eu não mudaria nada, faria tudo de novo”, salienta.

Para as mulheres que passam pelas mesmas situações, ela ressalta: “siga em frente, levante a cabeça. Mulher não depende de nada nem de ninguém, mulher é guerreira”.