"Ajudo os outros, pois quando precisei, fui ajudado" | 2M Notícias

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“Ajudo os outros, pois quando precisei, fui ajudado”

“Ajudo os outros, pois quando precisei, fui ajudado”

Dijair Brilhantes

O personagem da série protagonistas da vida do jornal Correio de Cachoeirinha é Marco Antônio Alves, uma pessoa que resolveu fazer o bem. Natural de Porto Alegre, o morador de Cachoeirinha conta como começou a trabalhar em prol do bem alheio.

A história de Marco começa em 1996, após passar por sérias dificuldades financeiras, viu uma empresa ao qual era proprietário falir. “Perdi tudo que eu tinha, estava sem trabalho e em casa bebendo e incomodando minha família”, conta Marco.

Quando tudo parecia perdido, um primo de Marco o convidou para participar de um retiro de casais do ECC (Encontro de Casais com Cristo). “Eu estava totalmente perdido, qualquer coisa que passasse eu me agarrava. Fui neste retiro para fugir dos credores por três dias”, conta o protagonista. Neste encontro Marco diz ter encontrado o sentido da palavra fé. “Nestes três dias tive a convicção que eu era filho de Deus”, conclui.

Humildade

Para começar a ser protagonista na vida das pessoas Marco precisou ser humilde. Após voltar do retiro de casais, ele foi até a empresa que havia trabalhado no passado e pediu o emprego de volta como vendedor. “Deixei o orgulho de lado, pedi meu emprego de volta como vendedor. Naquela época essa profissão dava dinheiro”, diz Marco.

Desde ali Marco começou a reestruturar sua vida, após conseguir emprego, ele pegava todo o dinheiro que ganhava e dava para a esposa, Márcia, com quem é casado há 32 anos, para ela administrar e pagar as dívidas.

Dívida

Pouco tempo após o retiro de casais que Marco havia participado, cerca de dois meses, o protagonista já notava que sua vida tinha mudado para melhor, ele queria retribuir. “Eu nunca havia entrado numa Igreja, e de repente algo me puxou lá pra dentro, tenho certeza que na minha vida foi a fé que me pegou”, diz ele.

Assim, Marco procurou o padre na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, e perguntou como poderia retribuir o que estava acontecendo na vida. O pároco sugeriu então que ele criasse a Primeira Pastoral do Batismo, onde até hoje faz trabalhos em prol da comunidade.

Trabalhos sociais

A criação da Pastoral do Batismo foi o primeiro passo para Marco Alves se “apaixonar” pelo trabalho social. Atualmente através da Pastoral, o protagonista conta que todas às quintas-feiras ele serve jantares a comunidade na Associação Comunitária dos Moradores do Bairro Carlos Wilkens. “A gente faz isso, porque talvez seja a única refeição descente que a criança faz durante toda a semana”, fala Marco.

Em datas especiais como Natal ou Páscoa, Marco arrecada brinquedos para fazer doações. “No último Natal arrecadei mais de 3200 brinquedos novos, além de cestas básicas. Na semana passada consegui 400 ninhos de páscoa para doar hoje após o jantar”, comemora. “Oitenta por cento dos alimentos que eu arrecado são das palestras do ECC”.

“Nos últimos dois anos ministro palestras sobre o uso de drogas, lá explico que há três tipos de drogas: A droga lícita, a droga ilícita e a droga que eu sou para minha família”, explica Marco.

Planos futuros

Marco pretende futuramente realizar outras atividades como os jantares das quintas-feiras, para ele o ideal hoje seria servir almoços e jantas aos sábados também. “Eu ainda quero servir duas refeições no sábado, almoço e janta. O problema é que não tenho mão-de-obra, alimentos eu tenho, mas falta quem faça”, diz Marco. Hoje participam da ação dos jantares além dele, mais duas voluntárias.

O protagonista diz ser bem difícil o trabalho realizado pelo trio. “Aparecem voluntários, mas eles vão duas, três vezes, depois não vão mais, fica bem difícil”, lamenta.

Na semana passada uma das ações de Marco ajudou a família de Gustavo da Silva, de 12 anos, morador do Jardim do Bosque, a arrecadar um leite especial, necessário para o menino que sofre de paralisia e precisa ganhar peso para realizar um procedimento cirúrgico. O caso foi noticia na edição 544, do último final de semana, do jornal Correio de cachoeirinha  “É uma satisfação, eu acredito no bem, o ser humano quer ajudar e não sabia como, quando ouço isso eu entrego meu cartão e digo agora já sabe como”, diz Marco. “Conseguimos arrecadar mais de 300 latas de leite além de cestas básicas, é sempre prazeroso ajudar”, conclui.

Marco venceu os problemas, e a partir disso arrumou forças para ajudar outros a vencerem suas dificuldades também.